Careca do INSS pagou viagem de Lulinha para fábrica de cannabis na Europa
Segundo o Estadão, filho do presidente admite custeio, enquanto defesa nega qualquer vínculo com fraudes
Por Gabiiweed
03/03/2026 - 07h47
Empresário confirma deslocamento pago pelo lobista | Reprodução/Redes Sociais Segundo o jornal Estadão, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, relatou a interlocutores que uma viagem a Portugal, incluindo passagens e hospedagem, foi paga pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O deslocamento teria como objetivo conhecer uma unidade de produção de cannabis medicinal, mas, segundo sua versão, não houve formalização de parceria.
O episódio ocorre enquanto a Polícia Federal investiga um suposto esquema bilionário de fraudes no INSS, no qual Antunes é apontado como figura central. A defesa do filho do presidente afirma que ele não tem qualquer participação nas irregularidades sob apuração e sustenta que jamais recebeu recursos do lobista.
Aproximação envolveu projeto de cannabis
Fontes próximas ao empresário relatam que o contato com Antunes teria ocorrido por meio de amizade em comum com a empresária Roberta Luchsinger. Conforme esses relatos, Lulinha foi convidado, no fim de 2024, a visitar em Portugal uma estrutura voltada à produção de cannabis para uso medicinal.
Durante a viagem, as despesas teriam sido assumidas por Antunes, e houve a possibilidade de ingresso de Lulinha no empreendimento ligado ao mercado de cannabis medicinal, hipótese que não avançou. O empresário sustenta que não assinou contratos, não aportou recursos e não recebeu pagamentos, afirmando que suas movimentações financeiras podem ser verificadas em extratos bancários.
Menções ao nome surgem em investigação
O nome de Lulinha passou a constar no inquérito após um ex-funcionário do lobista declarar à PF que ambos manteriam sociedade e que haveria repasses mensais ao filho do presidente. Conversas apreendidas pelos investigadores também citam pagamentos destinados ao “filho do rapaz”, sem identificação direta.
A Polícia Federal apura se a referência envolve Fábio Luís Lula da Silva, enquanto a CPMI do INSS determinou a quebra de seu sigilo bancário para aprofundar a análise da relação com Antunes. O lobista está preso sob suspeita de corromper agentes públicos para viabilizar descontos indevidos em benefícios previdenciários, linha investigativa que ainda está em andamento.
Empreendimento europeu seguiu sem ele
Registros reunidos pela PF indicam que Antunes avançou por conta própria em um projeto relacionado à cannabis medicinal em Portugal, incluindo a assinatura de contrato para aquisição de um galpão em Aveiro por 2,7 milhões de euros, com sinal de 100 mil euros.

Preso preventivamente, Careca do INSS é citado em apuração sobre possíveis irregularidades no INSS (Reprodução/Senado Federal)
Os documentos não fazem menção a Lulinha. Pessoas próximas afirmam que ele apenas visitou as instalações e não participou das tratativas comerciais. Em nota, o advogado Guilherme Suguimori Santos reiterou que Fábio Luís não possui ligação com o esquema investigado, não foi sócio do lobista, não prestou serviços a ele e não recebeu valores, acrescentando que os esclarecimentos serão apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF).




COMENTÁRIOS