Marcha da Maconha do Recife 2026: maior ato antiproibicionista do Nordeste volta ao Derby neste sábado
Manifestantes ocupam o centro da capital pernambucana para protestar contra a PEC que criminalizou qualquer porte de substâncias na Constituição brasileira
Marcha da Maconha do Recife 2025 | Reprodução/Instagram/@mdamaconha Recife recebe neste sábado (30) mais uma edição da Marcha da Maconha, uma das manifestações mais antigas do país em defesa da legalização das drogas. Com o tema "Usuário não é criminoso: em luta por liberdade, reparação e direitos", o ato reúne ativistas, coletivos e cidadãos na Praça do Derby a partir das 14h.
Às 16h20, o grupo segue em passeata até o Caranguejo da Aurora. A manifestação conta com autorização das autoridades e ofício encaminhado à Polícia Militar de Pernambuco. Realizada desde 2008, a Marcha do Recife é uma das primeiras do gênero a ocupar as ruas no Brasil.
Neste ano, o ato acontece em um contexto político tenso: após o Supremo Tribunal Federal definir que seria presumido usuário quem portasse até 40 gramas de cannabis sativa ou cultivasse até seis plantas fêmeas, o Senado reagiu com a aprovação da PEC 45, chamada pelos manifestantes de "PEC das drogas".
A emenda incluiu na Constituição Federal a criminalização do porte de qualquer quantidade de droga, deixando a cargo do juiz decidir se a pessoa abordada será tratada como usuária ou traficante.
A guerra às drogas como controle social
Para os organizadores, a medida representa um retrocesso e aprofunda o que chamam de criminalização seletiva. "A chamada guerra às drogas nunca foi sobre substâncias. Foi e segue sendo uma política de controle social, que criminaliza e encarcera em massa corpos negros, periféricos. Quem lucra não é soldado dessa guerra", afirma Joanna Santos, organizadora da Marcha.
"Denunciamos o proibicionismo como um dos mecanismos centrais de manutenção das desigualdades estruturais no Brasil. É preciso pensar numa política de drogas que trate o usuário como um sujeito de direito", acrescenta.
Entre as pautas defendidas pelo coletivo estão o fim do proibicionismo, a descriminalização de usuários, a legalização e regulamentação da cannabis com controle social e justiça econômica, o desencarceramento por crimes sem violência, a reparação histórica às populações criminalizadas, o direito ao cultivo doméstico e comunitário, o acesso universal à cannabis medicinal e a promoção de políticas de redução de danos.
Gênero e proibicionismo no centro do debate
A marcha também traz uma perspectiva de gênero ao centro do debate. Joanna Santos destaca que a política proibicionista afeta de forma ainda mais intensa mulheres negras, periféricas, pessoas trans, travestis, não-binárias e a população LGBTQIAPN+.
"São esses corpos que sustentam famílias diante do encarceramento em massa, enfrentam a violência institucional e muitas vezes são criminalizadas em contextos de sobrevivência", afirma.
O coletivo defende a reestruturação das políticas de drogas a partir do feminismo antiproibicionista, com o cuidado dos usuários como eixo central da ação pública.
Serviço: Marcha da Maconha do Recife 2026 — sábado, 30 de maio. Concentração às 14h na Praça do Derby. Passeata às 16h20 com destino ao Caranguejo da Aurora





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