Águia de Ouro aposta na maconha como símbolo de liberdade em desfile no Anhembi
Enredo inspirado em Amsterdã levou referências à cannabis para a avenida e colocou o tema no centro do debate carnavalesco
Por Gabiiweed
16/02/2026 | Atualizado em 18/02/2026 - 10h38
Escola apostou em referências diretas à cannabis ao retratar Amsterdã | Reprodução/Redes Sociais Na noite de sábado (14), a Águia de Ouro levou a maconha para o centro do desfile no Anhembi e protagonizou um dos momentos mais comentados do Carnaval de São Paulo. Ao transformar a cannabis em eixo narrativo, a escola apresentou uma leitura provocativa sobre Amsterdã e a política de tolerância à maconha, cidade internacionalmente associada à regulamentação do consumo da planta. O enredo “Mokum Amsterdã: o voo da Águia à cidade libertária” dividiu opiniões ao trazer símbolos explícitos ligados à cannabis no Carnaval paulista.
Desde o início da apresentação, ficou evidente que o tema não seria tratado de forma secundária. A maconha foi apresentada como elemento central do enredo, associada à liberdade individual e a modelos alternativos de regulação adotados em outros países. A abordagem direta chamou a atenção do público presente no sambódromo e impulsionou debates fora da avenida, principalmente nas redes sociais, onde imagens do desfile circularam rapidamente.
Cannabis como eixo central do enredo
Um dos pontos mais marcantes da apresentação foi a entrada de um boneco gigante que fazia referência direta à maconha, com efeitos visuais que simulavam a liberação de fumaça. A alegoria simbolizou de forma clara a política de tolerância ao uso da cannabis em Amsterdã, onde o consumo ocorre de maneira regulamentada em locais específicos, como os coffee shops. A opção estética da escola deixou explícita a intenção de provocar impacto imediato e estimular reflexão.
Carro chamou a atenção no desfile (Reprodução/Instagram/@g1)
Ao longo do desfile, alas inteiras reforçaram o discurso visual, com fantasias inspiradas em folhas de cannabis e cores associadas à planta. A narrativa buscou contextualizar a maconha como parte de uma cultura urbana específica, contrastando a experiência holandesa com a realidade brasileira, onde o tema ainda é cercado por debates legais, políticos e sociais sobre a cannabis. A proposta foi além da estética carnavalesca, inserindo o assunto em discussões contemporâneas sobre liberdade, regulação e políticas públicas.
Repercussão e debate após o desfile
A abordagem explícita da maconha no Carnaval gerou reações divergentes. Enquanto parte do público elogiou a ousadia da escola em levar um tema sensível para a avenida, críticos questionaram o que consideraram uma possível normalização do consumo de maconha em um evento de grande visibilidade. As imagens do desfile da noite de sábado, 14, circularam amplamente, ampliando o alcance do debate.
Visualmente, a Águia de Ouro apostou em alegorias mais simples e efeitos de iluminação, estratégia que reforçou ainda mais os símbolos ligados à cannabis sob os refletores do Anhembi. As baianas, com figurinos ornamentados por girassóis, contribuíram para a composição estética e reforçaram a ligação entre natureza, liberdade e identidade cultural.
Ao final, o desfile se consolidou como um dos mais polêmicos do Carnaval paulistano. Independentemente das notas dos jurados, a escola conseguiu colocar a maconha no centro da narrativa carnavalesca, transformando a avenida em espaço de debate e evidenciando um tema que segue no centro das discussões da sociedade brasileira.




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