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,24/02/2026

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    Mercado de cannabis nos EUA enfrenta novo risco de retrocesso

    Artigo publicado na Forbes pelo ativista Andrew DeAngelo alerta para divisões internas no setor e avanço de grupos proibicionistas


    Mercado de cannabis nos EUA enfrenta novo risco de retrocesso Avanço de campanhas proibicionistas reacende alerta no setor canábico norte-americano | Reprodução/Pexels

    O mercado de cannabis nos Estados Unidos pode estar entrando em uma fase de maior instabilidade regulatória após mais de uma década de avanços na legalização. A avaliação foi publicada pelo ativista Andrew DeAngelo na revista americana Forbes na última segunda-feira (23), em análise que aponta riscos crescentes ao setor.

    Segundo o texto, a indústria passou anos operando sob a percepção de que a legalização era um caminho sem volta, acumulando vitórias em diversos estados. No entanto, esse impulso estaria perdendo força diante de um cenário que o autor descreve como o retorno da proibição da cannabis nos EUA, agravada por divisões internas entre os próprios agentes do mercado.

    Congresso aperta regras sobre canabinoides do cânhamo

    De acordo com a análise, em novembro de 2025 o Congresso dos EUA aprovou medidas que, na prática, proibiram canabinoides intoxicantes derivados do cânhamo. O setor recebeu prazo de um ano para se adequar às novas regras e, desde então, tenta aprovar mudanças legislativas para mitigar os impactos. Até o momento da publicação, nenhuma proposta havia se convertido em lei.

    O artigo também menciona movimentos coordenados em estados como Massachusetts, Maine e Arizona que buscam revogar leis de uso adulto da cannabis e desmontar mercados regulados. Essas iniciativas seriam impulsionadas principalmente pela SAM Action Inc., braço político da organização Smart Approaches to Marijuana (SAM), liderada pelo médico Kevin Sabet.

    Fundo milionário impulsiona campanhas de revogação

    Dados fiscais de 2024 citados pelo texto indicam que a SAM Action reportou ativos superiores a US$ 23 milhões. Em Massachusetts, a campanha local “Coalition for a Healthy Massachusetts” teria recebido US$ 1,55 milhão, totalidade do financiamento proveniente da entidade, segundo registros oficiais.


    Cannabis EUA

    Divisão entre empresas de cannabis e cânhamo preocupa analistas do mercado regulado (Foto: Reprodução/RDNE Stock Project/Pexels)


    O autor afirma que o próprio conflito entre empresas de cannabis licenciadas e o setor de cânhamo pode estar fortalecendo o discurso proibicionista. Operadores do mercado regulado, pressionados por impostos elevados e pela seção 280E do código tributário dos EUA, têm defendido a proibição do THC derivado do cânhamo, classificando esses produtos como não regulamentados e potencialmente prejudiciais.

    Disputas internas podem fortalecer proibicionistas

    Na avaliação apresentada, esse tipo de retórica pode acabar validando a narrativa de grupos contrários à cannabis. A lógica seria que, se parte da própria indústria aponta certos canabinoides como crise de saúde pública, organizações proibicionistas poderiam estender o argumento para toda a planta.

    O texto cita ainda disputas judiciais em estados como Missouri e Maryland como exemplos de conflitos no setor de cannabis. Em Maryland, por exemplo, decisão de setembro de 2025 manteve limites de licenças e declarou que produtos intoxicantes de cânhamo “sempre foram ilegais” no estado, entendimento que, segundo o artigo, pode incentivar ações mais amplas de repressão.

    Setor busca união para evitar retrocesso

    Apesar do cenário desafiador, entidades como o Marijuana Policy Project (MPP) afirmam estar mobilizando empresas licenciadas para reagir. O diretor executivo Adam Smith defendeu que todo o mercado legal de cannabis precisa contribuir para uma defesa comum diante das ameaças regulatórias.

    Como possível saída, o autor propõe uma espécie de “tratado de paz” entre os segmentos de cannabis e cânhamo, com regulação unificada para produtos com THC. Caso contrário, alerta, a disputa por participação de mercado no curto prazo pode resultar em um cenário no qual não reste mercado legal a ser dividido.




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