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Rio de Janeiro,12/05/2026

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    Enfermeira canábica falsificou pós-graduação? Entenda a polêmica que agita o mercado de cannabis medicinal no Brasil

    Influenciador questiona pós-graduação de profissional canábica na Cannabis College, em Amsterdã; pacientes relatam surpresa com as revelações


    Enfermeira canábica falsificou pós-graduação? Entenda a polêmica que agita o mercado de cannabis medicinal no Brasil Sede da Cannabis College, em Amsterdã | Reprodução/Sensi Seeds

    Uma polêmica está agitando o ainda pequeno mercado da cannabis medicinal no Brasil. O influenciador e cultivador conhecido como Erva na Gringa publicou um reels em seu perfil no Instagram no último sábado (9) afirmando que uma enfermeira canábica teria declarado ser pós-graduada em Cannabis Medicinal pela instituição Cannabis College, sediada em Amsterdã, na Holanda. O vídeo já ultrapassou 40 mil visualizações na plataforma.

    No conteúdo publicado, o influenciador sustenta que a instituição seria apenas uma escola de capacitação, sem oferecer cursos vinculados ao ensino superior, e que a afirmação da profissional seria, portanto, falsa. A denúncia rapidamente repercutiu entre seguidores e profissionais do setor canábico. O Gabiiweed.com apurou a história e traz um panorama completo da polêmica.

    O currículo e o que é a Cannabis College

    De fato, a enfermeira que atua com cannabis medicinal afirmou em diversas ocasiões ser pós-graduada em Cannabis Medicinal pela Cannabis College. A informação consta oficialmente em seu perfil profissional no LinkedIn e também no currículo apresentado em eventos canábicos dos quais participou pelo Brasil. 


    Currículo profissional.

    Currículo da profissional apresentado em evento canábico inclui a suposta pós-graduação pela Cannabis College, em Amsterdã (Reprodução/Redes Sociais)


    Assim como afirma o influenciador, a Cannabis College não oferece educação formal em cannabis e não emite diplomas acadêmicos, trata-se de um centro dedicado à educação pública, fundado em 1998. Os cursos disponibilizados são workshops sobre aspectos da cannabis, como cultivo, botânica, canabinoides, terpenos e história, sem qualquer vínculo com o ensino superior e sem exigir bacharelado como pré-requisito para ingresso.

    A verificação junto ao governo holandês

    O Gabiiweed.com foi além da denúncia e consultou o CROHO (Centraal Register Opleidingen Hoger Onderwijs), o Cadastro Central de Programas de Ensino Superior da Holanda, banco de dados oficial mantido pela DUO, agência governamental de educação sob supervisão do Ministério da Educação, Cultura e Ciência do país. O registro lista todos os cursos de graduação e pós-graduação reconhecidos pelo governo holandês, sendo o equivalente ao MEC no Brasil.

    A consulta confirmou: a Cannabis College não está credenciada pelo governo holandês como instituição de ensino superior e não oferece cursos reconhecidos de graduação ou pós-graduação. A verificação independente reforça as alegações feitas pelo influenciador e levanta questionamentos sérios sobre a titulação falsa divulgada no currículo da profissional.

    Pacientes relatam surpresa com a descoberta

    A situação ganha contornos mais graves pelo fato de a profissional vender cursos de cannabis medicinal e realizar acompanhamento de pacientes. Com exclusividade ao Gabiiweed.com, alguns desses pacientes relataram surpresa ao tomar conhecimento de que a enfermeira não possuía pós-graduação internacional em cannabis medicinal.

    Cannabis College

    Sede da Cannabis College, em Amsterdã (Reprodução/Sensi Seeds)


    Segundo os pacientes, o currículo considerado robusto havia sido um dos principais fatores na escolha da profissional para conduzir seus tratamentos à base de cannabis medicinal. O caso levanta um debate mais amplo sobre a responsabilidade de profissionais de saúde no mercado canábico brasileiro, ainda em consolidação regulatória.

    As implicações legais da falsa titulação

    Declarar falsamente uma titulação para atrair pacientes pode configurar desde infrações éticas até crimes previstos no Código Penal Brasileiro. Entre as tipificações possíveis estão a falsidade ideológica (Art. 299), o uso de documento falso (Art. 304), o estelionato (Art. 171) e o exercício ilegal da profissão (Art. 282), com penalidades que vão da suspensão e cassação do registro profissional de enfermagem a processos criminais.

    A redação entrou em contato com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para que se pronunciasse sobre as alegações, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O contato com a própria enfermeira canábica também foi realizado, sem retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para os devidos esclarecimentos.





    *Esta reportagem será atualizada caso novos posicionamentos sejam recebidos.




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