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Rio de Janeiro,01/06/2026

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    "Brasiguayo": a palavra que define o mercado canábico brasileiro, segundo a revista El Planteo

    Publicação argentina especializada em cannabis usa o termo para descrever o domínio do prensado paraguaio no consumo do usuário no Brasil


    Maconha prensada | Reprodução/Matias Maxx/Agência Pública

    A revista argentina El Planteo, especializada em cannabis, utilizou o termo "brasiguayo" para descrever o tipo de cannabis que domina o mercado brasileiro. O vocábulo, que combina "brasileiro" e "paraguaio", aparece em um guia da revista voltado a turistas argentinos que visitam o Brasil e serve para identificar o cannabis prensado de origem paraguaia que circula amplamente no país.

    Segundo a El Planteo, o apelido carrega uma ironia geográfica precisa: apesar de ser produzido no Paraguai, o produto existe essencialmente para abastecer o Brasil.

    A revista aponta que apenas 4% da produção paraguaia permanece no próprio país, o que faz do mercado brasileiro o destino quase exclusivo dessa cadeia produtiva ilegal. Sem a demanda brasileira, o negócio simplesmente não existiria.

    A lógica econômica por trás do termo

    A publicação descreve o cannabis prensado identificado pelo termo como a modalidade que representa mais de 80% do consumo no Brasil. A revista atribui essa dominância a fatores práticos: o produto é mais fácil de transportar em grandes volumes, ocupa menos espaço para armazenamento e tem preço significativamente mais baixo do que as flores de alta qualidade.

    A El Planteo ainda contextualiza que a erradicação histórica de cultivos no nordeste brasileiro, nas regiões conhecidas como Polígono da Maconha, esvaziou a produção local e abriu caminho para o abastecimento transfronteiriço paraguaio.


    Tijolos marrons de maconha prensada

    Tijolos de prensado apreendidos na fronteira do Brasil com o Paraguai (Reprodução/CP News)


    A revista aponta ainda que os trabalhadores paraguaios envolvidos nessa cadeia produtiva recebem cerca de PYG 70.000 por dia de trabalho, o equivalente a aproximadamente 15 dólares.

    A publicação descreve o negócio das plantações ilegais no Paraguai como parte significativa da economia local, sustentando trabalhadores que dependem diretamente dessa atividade para seu sustento.

    O impacto cultural documentado pela revista

    Ao utilizar o termo em seu guia, a El Planteo documenta também uma consequência cultural direta desse cenário: a pouca familiaridade do consumidor brasileiro médio com outras formas de cannabis.

    A revista relata que trabalhadores e moradores locais consultados durante a apuração desconheciam o conceito de flores ou cogollos, e repetiam que esse tipo de produto "não se estila" no Brasil.

    O "brasiguayo", portanto, não é descrito pela revista apenas como um produto, mas como o elemento que moldou os hábitos e o vocabulário canábico de grande parte da população brasileira.

    A El Planteo registra ainda que, mesmo nas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o prensado paraguaio segue sendo a referência predominante para a maioria dos usuários.

    Leia o guia da El Planteo: https://elplanteo.com/brasil-marihuana-comprar-precio/ 




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