Artigo publicado pela Fundação Getulio Vargas compara legalização da maconha às Bets
Segundo a FGV, proibir não elimina o interesse pela maconha nem pelas apostas e pode levar o consumo à informalidade. Leia o que defende a pesquisa
Segundo o artigo, maconha e bets levantam a mesma pergunta sobre os limites da interferência do Estado Maconha e bets parecem assuntos sem ligação. De um lado, está o uso recreativo da planta. De outro, as casas de apostas esportivas online, hoje presentes no celular de milhões de brasileiros. Segundo o artigo, os dois debates colocam a sociedade diante da mesma pergunta: até que ponto o Estado deve permitir que as pessoas tomem decisões que podem lhes causar prejuízos?
O texto foi publicado no site da Fundação Getulio Vargas (FGV) em 31 de agosto de 2026. De acordo com o artigo, essa é a questão central da pesquisa de Marcos Fernandes Gonçalves da Silva, professor da FGV EAESP. O estudo, publicado no Brazilian Journal of Political Economy, analisa a literatura sobre a legalização da cannabis para uso recreativo. O artigo afirma que a metodologia também pode ser aplicada ao debate sobre as BETs.
A economia não basta, afirma o artigo
Conforme o artigo, grande parte do debate sobre a legalização se concentra em questões econômicas, como arrecadação de impostos, redução dos gastos com repressão e impactos sobre o consumo. Para o pesquisador, segundo o texto, esses fatores são importantes, mas não suficientes para orientar políticas públicas.
O artigo informa que a pesquisa levou mais de dez anos para ser concluída. Segundo o texto, mudanças na legislação de diferentes países e estados norte-americanos criaram experimentos naturais. Eles permitiram comparar regiões onde a cannabis foi legalizada com outras onde permaneceu proibida. De acordo com a publicação, a partir dessas experiências o pesquisador sistematizou as evidências da literatura econométrica sobre os efeitos da política pública.
O que o artigo diz sobre o mercado ilegal e as apostas
A revisão da literatura, segundo o artigo, indica que o consumo de cannabis é pouco sensível ao preço. Conforme o texto, combater o mercado ilegal tende a encarecer o produto e a aumentar a margem de lucro de quem atua na ilegalidade, sem reduzir significativamente a demanda. O artigo sustenta que algo semelhante pode ocorrer com as apostas esportivas: proibir a atividade não elimina o interesse das pessoas em apostar, mas pode deslocá-la para plataformas informais, sem fiscalização ou proteção aos consumidores.
Artigo da FGV aponta que as apostas online têm uma característica particular: o acesso imediato pelo celular
O artigo também aponta diferenças entre os dois mercados. De acordo com as evidências citadas no texto, a cannabis não apresenta riscos superiores aos do álcool, substância legalizada e amplamente aceita em diversos países. Já as apostas online, segundo a publicação, possuem uma característica particular: basta um celular e poucos cliques para participar. Para o artigo, essa facilidade de acesso reduz barreiras e pode facilitar o desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
Liberdade e redução de danos, segundo a pesquisa
O texto afirma que o debate também envolve escolhas morais. Segundo o artigo, defender a proibição porque essas atividades podem causar danos é uma posição legítima. Da mesma forma, de acordo com a publicação, defender que cada indivíduo seja livre para assumir os próprios riscos também representa uma escolha ética. O desafio, conforme o pesquisador, é que nenhuma das posições responde sozinha à complexidade do comportamento humano. O artigo cita estudos de neurociência e economia comportamental que mostram que as pessoas nem sempre tomam decisões plenamente racionais ou autônomas. Segundo o texto, isso limita tanto a ideia de liberdade absoluta quanto a de proteção total por parte do Estado.
De acordo com o artigo, a pesquisa defende políticas que conciliem liberdade individual e redução de danos. A publicação menciona medidas como informação sobre riscos, restrições de idade, controle da publicidade e tributação para compensar os custos sociais decorrentes da dependência. Conforme o texto, em vez de posições extremas, o estudo propõe que decisões sobre cannabis e BETs sejam orientadas tanto pelas evidências empíricas quanto por uma discussão transparente sobre os valores que sustentam as políticas públicas.
Leia o artigo: https://eaesp.fgv.br/blog/administracao-publica/o-que-legalizacao-da-cannabis-pode-ensinar-sobre-o-debate-das-bets





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