Seja bem-vindo
Rio de Janeiro,27/05/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    Zeleno Meds é confiável? Produto é barrado pela Anvisa

    Importação de resina de THCa foi barrada por divergência entre produto e autorização sanitária, segundo documentos oficiais


    Zeleno Meds é confiável? Produto é barrado pela Anvisa Resina importada retida por não corresponder à autorização para uso medicinal (Reprodução/Instagram)

    Zeleno Meds é confiável? Em novembro de 2024, uma disputa judicial envolvendo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o empresário Felipe Deucher Brollo, dono da empresa Zeleno Meds, expôs um novo impasse regulatório sobre a entrada de derivados de cannabis no Brasil. O caso teve início após a retenção de uma remessa do produto “Thuswell CBD 1g Live THCa Rosin” — uma resina concentrada de cannabis com altos níveis de THCa — no aeroporto de Guarulhos.

    Brollo, que também é paciente e alega tratar dores faciais decorrentes de bruxismo, havia obtido autorização prévia da Anvisa para a importação excepcional do produto, nos moldes da RDC nº 660/2022, que permite a entrada de medicamentos à base de cannabis mediante prescrição médica e cadastro individual. Com base nessa autorização, ingressou com um mandado de segurança para liberar o produto retido.

    Inicialmente, a 10ª Vara Cível Federal de São Paulo atendeu ao pedido liminar do empresário, destacando que o medicamento era de fabricante autorizado e que já havia sido liberado em situações semelhantes. A juíza federal substituta Maria Rúbia Andrade Matos entendeu que a divergência entre o nome comercial do produto e os listados pela Anvisa em sua Nota Técnica nº 26/2024 não justificava a retenção, pois o paciente já possuía cadastro regular junto à agência.

    Decisão revertida após questionamento da Anvisa

    Em abril de 2025, no entanto, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) reverteu a liminar. O relator do caso, desembargador federal Souza Ribeiro, acolheu os argumentos da Anvisa e determinou a suspensão da liberação do produto. Para a agência, o item importado por Brollo não correspondia ao medicamento prescrito e autorizado.

    A Anvisa alegou que o produto “CBD 1g Live THCa Rosin”, apesar de conter a sigla “CBD” no rótulo, é um extrato concentrado em forma de resina — uma formulação que foge ao controle preciso de dosagem, não possui padronização farmacêutica e pode facilitar o uso recreativo, devido à alta potência do THCa.

    THCa é a forma ácida e não psicoativa do THC (tetrahidrocanabinol), mas que, quando aquecido, se converte em THC, substância psicoativa proibida em produtos não regulamentados no Brasil. A agência ressaltou que o produto de Brollo não estava entre as formas aprovadas (como cápsulas, óleos ou soluções de uso oral) e que sua apresentação gelatinosa e resinosa dificultava a fiscalização e o uso exclusivamente medicinal.



    PF

    PF e Anvisa miram resinas de cannabis em operação contra importações irregulares (Reprodução/PF)

    Operação da PF reforça rigor contra resinas de cannabis

    Pouco depois da decisão judicial, em junho de 2025, a Polícia Federal e a Anvisa deflagraram a Operação Exsudato, com o objetivo de desarticular um esquema de tráfico internacional de resinas da maconha com alta concentração de canabinoides, através de autorizações sanitárias. A ação cumpriu mandados em Florianópolis, Balneário Camboriú e Joinville, investigando o envio de remessas diretamente dos Estados Unidos para o Brasil.

    Embora Felipe Brollo não seja citado diretamente na investigação, a operação reforça a crescente preocupação dos órgãos de controle com a entrada irregular de resinas de alta potência — como o produto importado pelo empresário. A semelhança entre a substância barrada e as resinas investigadas pela PF levanta sinais de alerta sobre possíveis brechas no sistema de importação excepcional, especialmente quando os envolvidos também operam comercialmente no setor.

    O caso de Brollo expõe o limite tênue entre o uso medicinal autorizado e o risco de desvio de finalidade. Sua empresa, a Zeleno Meds, atua no ramo da cannabis terapêutica e promove produtos derivados da planta, inclusive em redes sociais e eventos do setor. Nossa reportagem tentou contato com o empresário para manifestação, mas não conseguimos localiza-lo, o espaço permanece aberto para futuras manifestações.

    Diante de um cenário cada vez mais regulado, com ações conjuntas entre Anvisa e Polícia Federal, o episódio sinaliza que a flexibilização para importações individuais de derivados de cannabis deverá vir acompanhada de maior rigor técnico, especialmente quando envolvem produtos com alto teor canabinoide e formas de uso não padronizadas.





    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.