Marca brasileira aLeda aparece em estudo internacional sobre contaminação em papéis de enrolar
Relatório publicado pela SC Labs em 2022 identificou níveis elevados de chumbo em papéis de celulose e reacende debate sobre controle de qualidade no setor
Por Gabiiweed
27/02/2026 | Atualizado em 27/02/2026 - 18h06
Papel de celulose da aLeda teve chumbo acima do limite da Califórnia (EUA) | Reprodução/Redes Sociais Um estudo laboratorial conduzido pela SC Labs, referência em análises de cannabis na Califórnia, identificou a presença frequente de metais pesados e pesticidas em sedas, celuloses e wraps vendidos ao consumidor. O levantamento analisou produtos adquiridos na primeira semana de julho de 2020 e foi publicado oficialmente em 2022 pelo laboratório. Entre as amostras que ultrapassaram limites regulatórios está um produto da marca brasileira aLeda, o que coloca o tema sob atenção do mercado internacional e também do público brasileiro.
A investigação foi liderada por Josh Wurzer, COO e cofundador da SC Labs, após clientes do laboratório registrarem resultados inesperados de pesticidas em pré-enrolados. Segundo o relatório, alguns produtores haviam testado previamente a cannabis utilizada e não encontraram contaminação. No entanto, quando o material foi preparado como baseado pré-enrolado, surgiram detecções que levantaram suspeitas sobre outros componentes do produto final.
Investigação começou após falhas inesperadas em pré-enrolados
Diante das inconsistências, os pesquisadores rastrearam a origem da contaminação e identificaram níveis elevados do pesticida clorpirifós em determinados papéis utilizados para enrolar. A descoberta levou a SC Labs a ampliar a apuração e conduzir uma análise de mercado mais abrangente.
Para isso, o laboratório adquiriu 118 produtos, entre sedas tradicionais, celulose, cones pré-enrolados e wraps, comprados pela internet e em smoke shops da região de Santa Cruz, na Califórnia, durante a primeira semana de julho de 2020. As amostras foram submetidas a testes de metais pesados e pesticidas seguindo o padrão internacional ISO-17025:2017 e as diretrizes do Departamento de Controle de Cannabis da Califórnia.
Metais pesados aparecem na maioria das amostras
Os resultados indicam que a presença de metais pesados é comum nesse tipo de produto. O estudo apontou que cerca de 90% das amostras apresentaram pelo menos um metal detectável, sendo o chumbo o contaminante mais frequente. Em uma parcela menor, aproximadamente 8% dos produtos ultrapassaram os limites de ação estabelecidos pela Califórnia para produtos inaláveis.
No recorte geral, 11% das amostras excederam os parâmetros para metais ou pesticidas. Ainda assim, os pesquisadores observam que a simples detecção não significa necessariamente risco direto ao consumidor, já que muitos níveis estavam abaixo dos limites regulatórios.
Produto da aLeda entra no radar do estudo
Entre os achados que mais chamam atenção para o público brasileiro está a presença da aLeda Cellulose Rolling Papers – King Size entre os casos de maior concentração de chumbo. Segundo o relatório, a amostra apresentou 60,3 microgramas por grama do metal, enquanto o limite de ação da Califórnia é de 0,5 micrograma por grama.

Presença de chumbo em amostra da aLeda chama atenção no relatório laboratorial (Reprodução/SC Labs)
O estudo destaca ainda que todos os papéis à base de celulose analisados ultrapassaram os limites regulatórios para metais pesados. Essa categoria específica concentrou os níveis mais elevados de contaminação dentro da amostra pesquisada.
O relatório não afirma que o produto represente risco direto em todas as situações de uso, mas indica potencial de não conformidade regulatória em mercados com padrões mais rígidos, como o californiano.
Pesticidas foram menos frequentes, mas ainda preocupam
A análise de pesticidas mostrou incidência menor do que a observada para metais pesados. Ainda assim, parte das amostras apresentou detecções, e uma fração menor excedeu os limites estabelecidos na Califórnia. Os pesquisadores observaram que os wraps concentraram a maior parte dos resultados acima do permitido.
O clorpirifós, que motivou a investigação inicial, apareceu em poucas amostras, sugerindo que o principal ponto de atenção do mercado pode estar mais relacionado à contaminação por metais do que por pesticidas.
Especialistas pedem cautela e mais controle de qualidade
Na análise final, a SC Labs afirma que a presença de metais em materiais fibrosos não é totalmente inesperada, já que matérias-primas naturais como arroz, cânhamo e celulose podem acumular contaminantes do ambiente. Ainda assim, o laboratório ressalta que existe uma grande variação entre produtos com níveis baixos e outros com concentrações consideradas elevadas.

Relatório destaca a importância de informar o consumidor sobre possíveis contaminantes (Reprodução/Pexels)
Os pesquisadores defendem que consumidores sejam informados de que os papéis não passam pelo mesmo nível de regulação aplicado à cannabis em mercados legais. Também sugerem que fabricantes revisem especificações de qualidade e que produtores de pré-enrolados considerem testar matérias-primas antes da produção.
Impactos potenciais para o Brasil
No contexto brasileiro, onde não há parâmetros específicos equivalentes aos da Califórnia para esse tipo de acessório, o estudo levanta discussões sobre transparência, controle de qualidade e necessidade de monitoramento independente.
A menção à aLeda no relatório não configura irregularidade no Brasil, mas tende a aumentar a pressão por maior escrutínio técnico à medida que o mercado de cannabis medicinal e de redução de danos avança no país. O tema deve ganhar relevância entre consumidores, associações e fabricantes nos próximos anos. Entramos em contato com a empresa aLeda para manifestação, mas não obtivemos retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos
PDF do relatório completo da SC Labs: SC_Labs-Rolling-Paper-Report.pdf (clique).




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