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,03/02/2026

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    Anvisa define novas bases regulatórias para a cannabis medicinal no Brasil

    Texto limita produção, exige rastreabilidade e estabelece teto de 0,3% de THC


    Anvisa define novas bases regulatórias para a cannabis medicinal no Brasil Cultivo autorizado terá controle rígido do THC | Reprodução/Gov.br

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária colocou em circulação, nesta segunda-feira (26), uma minuta de norma que pode inaugurar uma nova etapa para a cannabis medicinal no Brasil. A proposta estabelece parâmetros inéditos para o cultivo, a pesquisa, o processamento e a fabricação de produtos derivados da planta com finalidade terapêutica e farmacêutica. O movimento atende a uma ordem do Superior Tribunal de Justiça, que determinou a criação de regras claras para toda a cadeia produtiva da cannabis medicinal no país.

    O cronograma para regulamentar a produção de cannabis medicinal no Brasil é apertado. A agência reguladora precisa concluir a tramitação interna e publicar o texto até 31 de março, prazo fixado pela decisão judicial. Antes disso, a proposta será analisada pelo colegiado da Anvisa, em reunião prevista para esta semana. Caso receba sinal verde, a norma entra em vigor imediatamente após a publicação, com validade inicial de seis meses.

    A regulamentação da cannabis medicinal avança em um cenário no qual o uso recreativo da planta segue proibido no Brasil, mas compostos como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC) vêm sendo cada vez mais utilizados em tratamentos médicos. Esses produtos têm aplicação sobretudo em doenças neurológicas, dores crônicas e condições refratárias a terapias convencionais.

    Produção restrita e fiscalização rigorosa

    Segundo a minuta da Anvisa, o cultivo de cannabis será autorizado exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos, ficando restrito a pessoas jurídicas previamente habilitadas. Cada empresa poderá produzir apenas a quantidade necessária para atender medicamentos previamente autorizados, o que impede excedentes e amplia o controle estatal.

    Outro ponto central do texto é o limite máximo de 0,3% de THC nas plantas cultivadas. Todos os lotes de cannabis medicinal passarão por inspeções periódicas, garantindo rastreabilidade completa desde o plantio até o produto final. As áreas de cultivo deverão ser georreferenciadas, fotografadas e monitoradas continuamente.



    Proposta da Anvisa fixa limite máximo de 0,3% de THC no cultivo de cannabis medicinal (Foto: Reprodução/Yana Tatevosian/Getty Images Embed)


    De acordo com a Anvisa, a liberação seguirá a chamada “lógica de compatibilidade produtiva”, que proíbe autorizações acima da demanda real de medicamentos. A agência afirma que as plantações autorizadas serão de pequeno porte e acompanhadas de perto pelos órgãos reguladores.

    O transporte de produtos derivados da cannabis medicinal contará com apoio da Polícia Rodoviária Federal, reforçando o controle logístico e a segurança da cadeia produtiva.

    Mercado em expansão pressiona por regras claras

    A regulamentação ocorre em meio à forte expansão do mercado de cannabis medicinal no Brasil. Em 2024, o setor movimentou R$ 853 milhões, crescimento de 22% em relação a 2023. Os dados constam no 3º Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil, elaborado pela Kaya Mind.

    O número de pacientes que utilizam cannabis medicinal também cresceu de forma expressiva. Estimativas indicam que 672 mil pessoas fizeram uso desses produtos em 2024, contra 431 mil no ano anterior. Mais de 240 mil novos pacientes passaram a adotar medicamentos à base de cannabis em apenas um ano.

    A oferta de produtos acompanha esse crescimento. Atualmente, o Brasil possui mais de 2 mil produtos de cannabis medicinal regulamentados, incluindo óleos, cápsulas, sprays e formulações tópicas. Grande parte dessa variedade é composta por medicamentos importados, adquiridos de mais de 400 empresas estrangeiras.

    Paralelamente, a Anvisa já autorizou a Embrapa a realizar pesquisas sobre o cultivo de cannabis no Brasil, indicando que o debate sobre produção nacional tende a avançar nos próximos meses.




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