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Rio de Janeiro,11/06/2026

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    Joãozinho Malta: o irmão da ex-primeira-dama do Brasil que cultivava maconha

    Enquanto Rosane Malta alcançava projeção nacional como primeira-dama do Brasil, seu irmão, Joãozinho Malta, teve o nome associado a acusações de cultivo de maconha em propriedades da família localizadas às margens do Rio São Francisco, no sertão alagoano


    Joãozinho Malta: o irmão da ex-primeira-dama do Brasil que cultivava maconha Joãozinho Malta | Reprodução/Youtube

    Enquanto Rosane Malta ganhava projeção nacional como primeira-dama do Brasil, seu irmão Joãozinho Malta se tornava personagem de uma trajetória marcada por investigações, fugas e acusações de cultivo de maconha no sertão alagoano.

    Existe uma certa poesia cruel no fato de que, enquanto Rosane circulava pelos corredores do Palácio da Alvorada, o irmão mais novo atravessava um caminho muito diferente no interior de Alagoas. Não é metáfora. É o que a história registrou ao longo de quase quinze anos.

    Canapi, no sertão de Alagoas, fica a 254 quilômetros de Maceió, onde a caatinga seca resolve os problemas do seu jeito. Os Malta eram uma família política influente em municípios como Canapi, Mata Grande e Inhapi, com um tio-avô que governou Alagoas por dois mandatos. O peso do sobrenome era real. Joãozinho Malta carregava o seu de outro modo.

    Fugas e silêncio

    O primeiro capítulo envolvendo maconha não tem data precisa nos arquivos, apenas o contorno. Quando Rosane Malta já não ocupava mais o posto de primeira-dama, Joãozinho Malta foi preso acusado de tráfico de maconha, fugiu e passou anos como foragido da Justiça. A imprensa da época mal registrou o caso: havia muita notícia sobre Fernando Collor para pouco espaço de página, e o irmão da ex-primeira-dama desapareceu sem grande repercussão. 


    Rosane e Fernando Collor

    Rosane Malta, irmã de Joãozinho, foi primeira-dama do Brasil entre 1990 e 1992, durante o governo de então marido, Fernando Collor (Reprodução/Agencia Brasil)


    Por anos, Joãozinho Malta viveu naquele limbo que o sertão conhece bem, nem preso, nem completamente livre. O nome da família ainda abria portas em Canapi, enquanto a Justiça tinha outros foragidos para procurar.

    A PF e o São Francisco

    Em maio de 2003, a história ganhou seu capítulo mais detalhado. A Polícia Federal prendeu quatro rapazes com 15 quilos de maconha e duas pedras de haxixe. Em depoimento, os quatro disseram trabalhar para Joãozinho Malta e apontaram o cunhado do ex-presidente Fernando Collor como dono da droga apreendida.

    As investigações levantaram uma suspeita mais ampla: o grupo estaria usando terras da família Malta para o plantio de maconha no sertão alagoano e às margens do Rio São Francisco. A mesma família que dera ao país uma primeira-dama agora aparecia ligada, segundo a investigação, a propriedades rurais usadas para cultivo ilegal de maconha.

    O juiz Sérgio Persiano, da Comarca de Atalaia, decretou a prisão preventiva de Joãozinho naquela mesma semana. Ele não foi encontrado. A Polícia Federal realizou buscas em quatro estados — Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia — sem resultado. O fazendeiro continuava desaparecido.

    O sócio que falou

    Em novembro de 2007, Joãozinho Malta já acumulava mais de quatro anos como foragido da Justiça quando a polícia chegou até ele pelo caminho mais comum do sertão: um parceiro preso que resolveu colaborar.

    Investigadores descobriram uma plantação de maconha na propriedade de um homem conhecido como Zé de Alcides. Preso, Alcides indicou Joãozinho Malta como seu sócio no negócio. O mandado de busca e apreensão foi expedido para a Fazenda Raimundo, em Canapi. 


    Joãozinho Malta

    Joãozinho Malta durante sua prisão, em novembro de 2007 (Reprodução/Alagoas 24 horas)


    No local, a polícia encontrou cinco espingardas, dois revólveres, uma pistola, munições e uma pequena plantação de maconha. O sogro Euzébio Lima Piauí e o empregado José Damião Francisco dos Santos foram conduzidos junto com o material apreendido.

    Diante das câmeras da Secretaria de Defesa Social, Joãozinho Malta negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas na região e admitiu apenas a posse de um revólver e uma pistola, alegando que as demais armas pertenciam ao sogro e ao empregado. 

    O fim antes da sentença

    A Justiça demorou, como costuma acontecer. João Alvino Malta Brandão Filho, conhecido como Joãozinho Malta, morreu às 16h15 de uma sexta-feira, 1º de julho de 2011, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Estava internado desde o dia anterior na UTI com insuficiência respiratória provocada por embolia pulmonar. Tinha 38 anos.

    A família já havia perdido Pompílio, outro irmão, no ano anterior. Mais tarde, o pai também morreria e seria sepultado ao lado dos dois filhos. Rosane Malta, ao anunciar a morte do pai, escreveu que ele havia ido ao encontro da mãe, e dos dois irmãos amados.

    Joãozinho Malta passou quinze anos oscilando entre prisões, fugas e plantações no sertão alagoano. Não deixou tese política nem legado institucional. Deixou quatro delatores, um mandado que atravessou quatro estados, pés de maconha às margens do Rio São Francisco e o nome de um sócio que falou demais. No sertão de Alagoas, isso às vezes é história suficiente.




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