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Rio de Janeiro,21/05/2026

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    "Partido de esquerda aqui não tem vez": a frase de Pedro Santa Cannabis que dividiu o movimento canábico brasileiro

    Ao se filiar ao Podemos e criar a primeira setorial canábica do país, Pedro Sabaciauskis provocou reação imediata de ativistas históricos do movimento


    Pedro Sabaciauskis | Reprodução/Instagram/@pedrosabaciauskis

    "Partido de esquerda aqui não tem vez." A frase foi escrita por Pedro Sabaciauskis, conhecido no movimento canábico como Pedro Santa Cannabis, fundador da associação Santa Cannabis e pré-candidato a deputado estadual por Santa Catarina, em resposta pública a críticas recebidas nas redes sociais após anunciar sua filiação ao Podemos e a criação da primeira setorial canábica de partido político no Brasil.

    A declaração gerou debate imediato dentro do movimento canábico brasileiro e expôs uma tensão antiga entre ativistas: a relação entre a pauta da cannabis medicinal e os partidos políticos e de qual lado do espectro ideológico essa representação deve ser construída.

    O lançamento

    No último domingo, 17 de maio, Sabaciauskis lançou em Biguaçu, na Grande Florianópolis, o "Podemos Cannabis Medicinal", a primeira setorial canábica do Brasil. O evento contou com a presença da deputada Paulinha, presidente estadual do Podemos em Santa Catarina, e do governador Jorginho Mello. Com a criação da setorial, o Brasil se junta a apenas outros três países com representações políticas oficiais para a cannabis medicinal: Austrália, Estados Unidos e Espanha.




    Publicação de Pedro Sabaciauskis no Instagram sobre o que considera "a primeira e única setorial canábica do Brasil" (Foto: Reprodução/Instagram/@pedrosantacannabis)


    Sabaciauskis é fundador da associação Santa Cannabis de Santa Catarina, que afirma ter atendido mais de 8 mil famílias com cannabis medicinal no estado. No evento, declarou: "Somos a primeira e única setorial canábica do Brasil e defendemos uma causa acima de ideologias."

    A crítica

    A criação da setorial gerou reação imediata entre ativistas. O desenhista e ativista Antônio Zanon, conhecido no movimento canábico brasileiro pelo perfil @zanonart18, publicou um comentário direto: "Gosto muito de você, Pedro, mas com todo respeito: se aliar ao partido de direita apoiador de Flávio Bolsonaro é dose... de gente que nos quer mortos ou presos? De gente que luta contra o povo trabalhador?"

    Zanon completou: "Qualquer partido de esquerda seria melhor que isso, mais coerente e respeitoso com aqueles que abriram os caminhos na foice, no começo da nossa luta. Lamento profundamente."

    A resposta

    Sabaciauskis não recuou. Além da frase que viralizou, detalhou sua frustração com o campo progressista: "Poderia até ter ido para a esquerda se tivesse me convidado, mas nunca fizeram isso. A esquerda partidária é canibalista e não teria espaço para mim. Antes de chegar no Podemos, fiz mais de 20 reuniões com o governo Lula sobre cannabis medicinal e ele nunca cumpriu com a palavra de nos reconhecer publicamente." 


    Debate entre Pedro e Zanon no Instagram.

    Debate entre Pedro Sabaciauskis e o ativista Antonio Zanon (Foto: Reprodução/Instagram/@pedrosabaciauskis) 


    O ativista questionou ainda o histórico progressista em relação à política de drogas no Brasil: "A esquerda usa a gente como massa de manobra para seus interesses, enquanto a direita abre diálogo. Qual partido político brasileiro criou uma setorial canábica para tratar da cannabis de forma séria e com profundidade?"

    O contexto político

    O Podemos firmou recentemente aliança com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência em 2026. O ex-ministro Gilson Machado, aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, migrou para a legenda com acordo declarado de apoio à candidatura. A proximidade do Podemos com o campo bolsonarista é um dos principais alvos das críticas ao movimento de Sabaciauskis.

    A troca pública entre os dois ativistas reacendeu o debate sobre cannabis medicinal e representação política no Brasil, e de qual lado do espectro ideológico essa relação deve, ou pode, ser construída.




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