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Rio de Janeiro,11/06/2026

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    EXCLUSIVO: Morre homem vítima de explosão em "laboratório" de extração de BHO em Copacabana

    Patrick Martins de Araújo, 34 anos, não resistiu às queimaduras em 80% do corpo; ele estava internado sob custódia policial no Hospital Miguel Couto desde a explosão em apartamento


    EXCLUSIVO: Morre homem vítima de explosão em Patrick Martins de Araújo não resistiu às queimaduras | Reprodução/Redes Sociais

    Patrick Martins de Araújo, 34 anos, morreu nesta manhã no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde estava internado em estado gravíssimo sob custódia policial. Ele havia sido preso em flagrante por tráfico de drogas após uma explosão destruir o apartamento onde operava um laboratório clandestino de BHO — Butane Hash Oil, um concentrado de cannabis produzido com gás butano, na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. A informação foi confirmada ao Gabiiweed.com com exclusividade por pessoas próximas à vítima. As autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente.

    Patrick tinha queimaduras em 80% do corpo. Sete dias de internação, os últimos deles sob escolta policial, não foram suficientes para que ele resistisse à extensão dos ferimentos causados pelo próprio processo que conduzia dentro de um apartamento, em um dos bairros mais densamente povoados do Rio de Janeiro.

    Como tudo começou

    Na manhã de quarta-feira (3), uma explosão sacudiu um prédio na Rua Barata Ribeiro, entre as ruas Bolívar e Barão de Ipanema. Câmeras de segurança registraram o momento em que a janela do apartamento foi arremessada para a calçada junto com destroços. Um colchão queimado também foi lançado para a rua. Em seguida, uma fumaça densa tomou conta do andar.


     

    Vídeo mostra explosão que destruiu apartamento usado como laboratório clandestino de BHO em Copacabana (Reprodução/Instagram/@zonasulurgente)


    Patrick saiu do apartamento sem roupa, com o corpo em chamas. Foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Miguel Couto, onde permaneceu internado sob custódia policial, havia sido autuado em flagrante por tráfico de drogas ainda no dia do acidente, após policiais militares do 19º BPM encontrarem no apartamento drogas, balanças de precisão, processador, máquina de cartão, produtos químicos, papel filme e embalagens. Moradores do prédio relataram que não era a primeira vez que ouviam barulhos de explosões vindos do imóvel.

    O que matou Patrick Martins de Araújo

    O BHO é produzido com gás butano, um solvente altamente inflamável que dissolve os canabinóides e terpenos da planta de cannabis para gerar um extrato extremamente potente. O processo exige câmaras pressurizadas, equipamentos à prova de explosão, ventilação especializada e treinamento técnico. Nada disso existia no apartamento de Copacabana.

    O butano tem ponto de ebulição baixíssimo e pressão de vapor elevada. Em ambientes fechados e sem ventilação adequada, seus vapores se acumulam rapidamente e formam o que especialistas chamam de piscinas de vapor, invisíveis, inodoras em baixas concentrações, e deflagradas por qualquer faísca, chama ou até eletricidade estática. Uma tomada. Um interruptor. O atrito de uma ferramenta. Qualquer coisa.

    O BHO é ilegal no Brasil e toda a sua cadeia de produção clandestina opera à margem de qualquer protocolo de segurança. Em países proibicionistas como o Brasil, esse cenário já produziu outros acidentes com explosões, alguns fatais. Patrick Martins de Araújo é mais um nome nessa lista.

    O que fica

    A morte de Patrick não é um caso isolado. É um alerta. A produção clandestina de BHO em ambientes fechados é uma das situações de maior risco dentro da cadeia do mercado ilegal de cannabis, e ainda é amplamente desconhecida pelo público geral e por quem, eventualmente, se aventura no processo sem dimensionar o perigo.


    Vitima de explosão em Copacabana.

    Patrick estava internado sob custódia policial desde a explosão no dia 3 de junho (Reprodução/Instagram/@patrickarauj)


    O butano é invisível. O acúmulo de vapor acontece silenciosamente. Não há sinal de aviso antes da explosão. Um apartamento residencial não tem ventilação industrial, não tem sensores de gás, não tem sistema de contenção. Tem vizinhos. Tem crianças nos andares de cima. Tem pessoas passando na calçada.

    No caso da Rua Barata Ribeiro, a janela foi parar na rua. O colchão também. Se alguém estivesse na calçada no momento certo, a história teria mais de um morto. Moradores relataram ter ouvido explosões anteriores no mesmo apartamento, o que significa que o risco foi real, repetido e ignorado por tempo suficiente para que Patrick voltasse a manusear o material até a vez que não teve como voltar atrás.

    Manipular BHO em ambiente fechado é colocar em risco não só a própria vida, mas a de todos ao redor. A morte de Patrick Martins de Araújo é a prova mais brutal disso.




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