Paulo Teixeira deixou o Ministério do Desenvolvimento Agrário sem explicar tentativa de repasse de R$ 210 mil em verba alimentar para associação de cannabis medicinal
Apuração exclusiva do Gabiiweed.com identificou, no Portal da Transparência, empenho destinado à aquisição de alimentos em favor de entidade de cannabis medicinal; ex-ministro saiu do cargo sem dar satisfações
Paulo Teixeira | Reprodução/Valter Campanato/Agência Brasil O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) deixou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em março de 2026 sem responder a uma pergunta que o Gabiiweed.com fez ao ministério ainda em janeiro: por que sua gestão empenhou R$ 210.000,00 do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em favor de uma associação de cannabis medicinal?
A apuração é exclusiva do Gabiiweed.com. Os dados foram extraídos diretamente do Portal da Transparência do Governo Federal e revelam que, no âmbito do Processo nº 21449.000882/2025-81, o MDA formalizou nota de empenho em favor da Associação Brasileira de Terapias Integradas e Pesquisas em Cannabis Medicinal (ASBRATIPECAM), CNPJ 54.693.156/0001-24, entidade sem qualquer histórico na produção agrícola familiar ou nas finalidades previstas pela legislação do PAA. Um empenho complementar referente ao FUNRURAL (1,5%) também foi emitido. Ambos foram anulados em 16 de outubro de 2025, sem nenhuma explicação pública.
O que o Portal da Transparência revela, e o governo não explica
O PAA é um programa federal estruturado para adquirir alimentos produzidos pela agricultura familiar e destiná-los a redes públicas de alimentação. A ASBRATIPECAM, por seu objeto social, não se enquadra nesse perfil. Ainda assim, a verba foi empenhada.

Paulo Teixeira, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, deixou o cargo em março de 2026 sem explicar o empenho (Foto: Reprodução/Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O Gabiiweed.com questionou o MDA sobre quatro pontos centrais: os critérios técnicos que embasaram a tentativa de repasse; se houve análise prévia da capacidade operacional e do histórico institucional da associação; os motivos formais da anulação; e a existência de auditoria, diligência interna ou recomendação de órgão de controle relacionada ao processo.
A resposta do ministério, enviada pela Assessoria Especial de Comunicação Social, foi protocolar: a demanda havia sido "encaminhada para resposta da unidade responsável". Nenhum prazo. Nenhuma informação de mérito. E nenhum retorno chegou.
Ministro foi embora, a pergunta ficou
Paulo Teixeira esteve à frente do MDA de janeiro de 2023 a março de 2026, deixando o cargo para disputar as eleições. A secretária-executiva da pasta, Fernanda Machiaveli, assumiu o ministério. Com a saída, encerrou-se qualquer possibilidade de responsabilização direta do ex-ministro pela falta de resposta, ao menos no âmbito da pasta.
A pergunta que ficou sem resposta durante toda a gestão Teixeira é a mesma que o Gabiiweed.com mantém em aberto: como uma associação de cannabis medicinal passou pelos critérios de habilitação de um programa alimentar federal e chegou a receber um empenho de R$ 210 mil? Erro administrativo, falha nos controles internos ou algo mais grave — só uma resposta oficial pode esclarecer.
O espaço permanece aberto para manifestação do MDA e da ASBRATIPECAM.





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