"Gato" de energia elétrica leva polícia a descobrir estufa de cultivo de maconha em Goiás
Caso foi registrado em Anápolis, onde uma ligação clandestina abastecia a iluminação, a climatização e a ventilação da estufa. Moradores acabaram detidos
Cultivo apreendido | Reprodução/PCGO Uma fraude no abastecimento elétrico acabou revelando uma estrutura de cultivo doméstico de maconha montada em um sobrado do bairro São Carlos, em Anápolis (GO). A ação ocorreu na última quinta-feira (2/7) e partiu de uma vistoria técnica que identificou uma ligação irregular de energia, o chamado "gato", alimentando toda a instalação, resultando na detenção de duas pessoas.
O caso foi conduzido pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) em conjunto com o Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc), da Polícia Civil de Goiás.
Segundo o delegado responsável, Marcos Adorno, o imóvel havia sido reformado especificamente para abrigar o plantio de maconha, com sistema de iluminação artificial voltado ao desenvolvimento das plantas, controle de temperatura e ventilação, equipamentos que demandam consumo elevado e contínuo de eletricidade.
Fraude na rede elétrica bancava o funcionamento da estrutura
De acordo com o delegado, foi justamente essa ligação clandestina de energia que chamou a atenção das autoridades: o desvio permitia manter o sistema em operação ininterrupta, driblando os custos que uma instalação daquele porte naturalmente geraria caso estivesse regularizada junto à concessionária.
Delegado detalha a operação (Vídeo: Reprodução/Instagram/@anapolis.noticias)
Durante a diligência, agentes apreenderam exemplares de skunk, variedade de maconha valorizada pelo teor mais elevado de THC, em diferentes estágios de desenvolvimento, além de insumos e materiais utilizados na etapa de beneficiamento. Um homem e uma mulher foram levados à delegacia.
As apurações seguem em andamento para mapear eventuais outros participantes e dimensionar toda a cadeia de produção e escoamento identificada na região.
Segundo caso do ano ligado a fraude elétrica em cultivo de maconha
O episódio de Anápolis repete um padrão já observado em 2026: em 27 de maio, um morador de Cabo Frio (RJ) também foi flagrado por conta de um "gato" de energia que sustentava uma estufa de cannabis de sete pés instalada no quintal de sua casa. Naquela ocasião, uma denúncia anônima levou policiais civis fluminenses até o imóvel, onde encontraram a tenda de cultivo ligada de forma irregular à rede pública, sem qualquer medição.
Nos dois episódios, o alto consumo elétrico decorrente da iluminação artificial e da climatização necessárias ao plantio indoor acabou funcionando como rastro técnico capaz de expor a operação, reforçando um padrão observado por concessionárias em diferentes estados: ligações clandestinas de grande porte tendem a coincidir com estruturas de cultivo fechado.
Risco à rede elétrica
Distribuidoras costumam reforçar que o desvio de energia não é um problema isolado do consumidor que frauda o sistema: sobrecargas provocadas por ligações irregulares podem gerar oscilações de tensão, interrupções no fornecimento para vizinhos e até risco de incêndios e choques elétricos.
A fraude na rede elétrica é tipificada como furto, conforme o artigo 155 do Código Penal, com pena prevista de um a quatro anos de reclusão, além de multa.





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