Chuva, lama, apagões e higiene precária: os bastidores da edição comemorativa de 10 anos da Expo Head Grow
Filas longas, palestras atrasadas em horas e preços que pesaram no bolso: veja como o público reagiu aos bastidores do evento e por que a expectativa não foi atendida
Palco da Expod Head Grow | Reprodução/Instagram/@expoheadgrow No último fim de semana, o Parque Villa-Lobos, em São Paulo, recebeu a edição comemorativa de dez anos do tradicional evento canábico ExpoHead Grow. A expectativa era alta, alimentada por semanas de forte divulgação nas redes sociais, mas o resultado ficou muito aquém do prometido para uma celebração de década.
Chuva, lama, falta de energia elétrica, banheiros insalubres, filas gigantescas e falhas no sistema de pagamento se somaram em uma sequência de problemas que comprometeu a experiência de boa parte do público presente.
Temporal atrasa abertura e alaga estandes
Na madrugada de sábado, uma chuva forte atingiu São Paulo e pegou de surpresa os expositores, que ainda montavam seus espaços para o início do primeiro dia de evento. O temporal transformou parte do terreno em um verdadeiro atoleiro, e por causa da lama os portões da ExpoHead Grow abriram com atraso considerável, deixando centenas de pessoas esperando do lado de fora.
A fila única de entrada rapidamente se tornou extensa e tensa, com a Polícia Militar acompanhando de perto os frequentadores que fumavam maconha. Alguns visitantes chegaram a ser abordados e solicitados a apagar os cigarros, devido à movimentação de crianças na área da ciclovia do Parque Villa-Lobos, o que gerou momentos de constrangimento logo na chegada ao evento.
A chuva também alagou a região onde ficavam alguns estandes, impedindo o acesso do público, danificando materiais de expositores e agravando ainda mais o clima de insatisfação já na abertura da feira.

Expositores tiveram que improvisar para driblar as poças de lama (Foto: Reprodução)
No segundo dia, o sol finalmente apareceu e secou a lama, mas deixou no ar uma poeira fina e persistente, o suficiente para sujar os tênis brancos do público entusiasta de extrações e cultivo que circulava pelo evento, e para incomodar quem esperava um ambiente mais confortável na reta final da celebração.
Falta de energia atrasa palestras e frustra público
A falta de energia elétrica também afetou seriamente o primeiro dia do evento e atrasou de forma significativa as palestras programadas. A mais aguardada do dia, de Alice, da Girls in Green, estava marcada para começar às 14h20 e só teve início às 19h30, mais de cinco horas de atraso, que frustrou grande parte do público que havia se organizado especialmente para acompanhar a palestrante.
Os demais palestrantes não conseguiram repetir esse desempenho de público, mesmo diante de um cronograma já comprometido. Mesmo com o atraso, a palestra de Alice foi a mais concorrida da programação; as outras tiveram audiência mediana a baixa, evidenciando um problema mais amplo de comunicação do evento com seu público.
Nem mesmo a presença internacional de The Dank Duchess, consultora de haxixe, cultivadora de cannabis e educadora global com mais de duas décadas de experiência na indústria da cannabis, foi suficiente para lotar sua palestra. O problema não esteve na qualificação dos convidados, todos reconhecidos no setor, mas na divulgação insuficiente feita pela organização do evento.
Banheiros insalubres geram reclamações
Os banheiros insalubres, principalmente os femininos, foram alvo de diversas reclamações ao longo dos dois dias de evento. Segundo relatos de frequentadoras ouvidas pela reportagem, as instalações estavam sem manutenção adequada, sem papel higiênico disponível e sem qualquer condição de higienização das mãos após o uso, um cenário preocupante justamente na edição comemorativa dos dez anos do evento, quando se esperava um padrão de infraestrutura mais elevado.
Preços altos e falhas no sistema de recarga irritam público
Quem quis se alimentar ou beber algo também teve motivos de sobra para reclamar. Além dos preços considerados altos pelos frequentadores, o público enfrentou dificuldades reais para recarregar o cartão utilizado nas compras dentro do evento. O aplicativo da empresa responsável pela recarga apresentou falhas recorrentes, o que congestionou as filas, aumentou consideravelmente o tempo de espera e gerou momentos de tensão entre os visitantes, já cansados pelos demais transtornos do dia.

Grande fila se tornou para acesso aos caixas de recargas para consumo (Foto: Reprodução)
Somando-se aos valores cobrados, o público também relatou forte insatisfação com bebidas servidas quentes, quando deveriam estar geladas, mais um detalhe que reforçou a sensação de falta de planejamento na organização do evento.
Balanço morno para uma feira de referência
Ao final do evento, frequentadores da feira canábica mais tradicional do mercado brasileiro, ouvidos pelo GabiiWeed.com, classificaram a edição como morna e chegaram a demonstrar preocupação com os rumos do evento.
Muitos afirmaram esperar muito mais de uma celebração de década, e alertaram que, se os problemas de infraestrutura e organização não forem corrigidos, a tradicional ExpoHead Grow corre o risco de perder relevância nas próximas edições.





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