Evento on-line da USP debate expansão do cultivo ilícito de maconha no Brasil
Palestra gratuita mostra como o plantio de maconha, antes restrito à Bahia e Pernambuco, avança para a Amazônia Legal e outras regiões do país
Encontro on-line gratuito da USP debate novas rotas do plantio ilícito de maconha no país | Reprodução/Pexels Durante décadas, o cultivo ilícito de maconha no Brasil ficou concentrado quase só no interior da Bahia e de Pernambuco. Essa atividade sempre esteve ligada a economias ilegais e a formas de criminalidade típicas daquela região. Mas esse cenário está mudando, e é sobre essa mudança que vai tratar um encontro on-line gratuito marcado para o dia 23 de julho, às 14h (horário de Brasília).
O evento é organizado pelo Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados da USP em Ribeirão Preto (IEA-RP), junto com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa (AICLP).
A conferência se chama "Plantios ilícitos de maconha no Brasil: transformações territoriais e mercados ilícitos" e será transmitida ao vivo pelo canal do IEA-RP no YouTube. A inscrição é gratuita e feita por formulário on-line. Quem preencher a lista de presença enviada no chat durante a transmissão recebe certificado de participação.
Novas regiões passam a cultivar maconha
Quem apresenta a palestra é Paulo Fraga, professor titular do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele vai mostrar como o cultivo ilícito de maconha, antes restrito ao Nordeste, começou a aparecer em outras partes do país, principalmente na Amazônia Legal, região onde até pouco tempo atrás não havia plantações grandes desse tipo.

Cultivo ilícito de maconha, antes restrito à Bahia e Pernambuco, avança para a Amazônia Legal (Foto: Reprodução/Marie Zee/Pexels)
Com base em dados do Observatório dos Plantios Ilícitos no Brasil, Fraga vai explicar por que isso está acontecendo. Ele defende que essa expansão não é resultado do chamado "efeito balão", quando a repressão em um lugar apenas empurra a atividade para outro.
Para ele, a verdadeira explicação é o surgimento de novos grupos criminosos que passaram a incluir o cultivo de maconha entre suas atividades, somando essa prática a outros tipos de crime organizado.
Quem é o professor responsável pela palestra
Paulo Fraga se formou em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), fez mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela UFRJ e doutorado em Sociologia pela USP. Ele coordena, na UFJF, o Núcleo de Estudos sobre Política de Drogas, Violências e Direitos Humanos (NEVIDH) e o Laboratório Social da Cannabis. Também é professor colaborador de doutorado em Estudos Rurais no Colégio de Michoacán, no México.
Sua pesquisa é voltada para temas como sociologia do crime, políticas de drogas relacionadas à maconha e os efeitos da repressão sobre pessoas e comunidades. Dúvidas sobre o evento podem ser enviadas para iearp@usp.br.





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