Anvisa suspende venda do Mister Hemp em todo o país após encontrar quase 20 irregularidades sanitárias
Órgão determinou o recolhimento imediato do suplemento alimentar vendido como energético, incluindo em todos os sabores e lotes; empresa não se manifestou sobre o caso
Suplemento vendido como energético é retirado do mercado por falhas de segurança | Reprodução/Facebook/FB Drinks A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento imediato do suplemento alimentar Mister Hemp, vendido no mercado como energético de baixa caloria, em todos os sabores e lotes disponíveis. A decisão está na Resolução-RE nº 2.788, publicada na edição 132 do Diário Oficial da União da última quinta-feira (16/07), e também suspende a fabricação, distribuição, comercialização, propaganda e uso do produto.
A medida atinge a empresa G. Freitas Alimentos (CNPJ 20.945.688/0001-90) e foi assinada pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa, Renata de Lima Soares.
Anvisa aponta 19 irregularidades no produto
O que preocupa é o tamanho da lista de problemas encontrados. Ao todo, a Anvisa aponta 19 dispositivos legais descumpridos pela empresa, distribuídos em seis normas sanitárias diferentes. Não se trata de uma falha pontual: é um volume de irregularidades sanitárias que sugere um problema estrutural na forma como o produto era fabricado e colocado no mercado.
O caso levanta a pergunta sobre há quanto tempo consumidores vêm consumindo um energético vendido como suplemento sem as garantias mínimas de segurança exigidas por lei.
Por que o produto foi recolhido
Segundo a Anvisa, o energético era fabricado, distribuído e vendido sem que a empresa realizasse os chamados estudos de estabilidade, testes que comprovam se um alimento mantém suas características de segurança, composição e qualidade até a data de validade impressa no rótulo.
A Anvisa divulgou, em suas redes sociais, medidas contra a empresa fabricante do Mister HEMP (Foto: Reprodução/Instagram/@anvisa)
Na prática, isso significa que não havia garantia científica de que o produto seguia seguro para consumo durante todo o período em que era vendido nas prateleiras.
Além disso, a empresa não conseguiu comprovar que o Mister Hemp estava devidamente regularizado no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), o que por si só já torna a comercialização irregular.
O alcance das normas descumpridas
Somados, os 19 dispositivos infringidos envolvem desde regras básicas de rotulagem e fabricação de alimentos, previstas em uma norma de 1969 ainda em vigor, até resoluções mais recentes voltadas especificamente a produtos como suplementos e alimentos funcionais, publicadas entre 2018 e 2024.
A amplitude das normas descumpridas indica que as falhas não estavam concentradas em uma única etapa da produção, mas se espalhavam por diferentes pontos do processo, da fabricação à comprovação de segurança do produto final.
Esse padrão reforça o caráter preventivo da medida, aplicada pela Anvisa antes mesmo da conclusão de um eventual processo administrativo sancionador contra a empresa.
Empresa não se manifestou sobre o caso
Até a publicação desta reportagem, a G. Freitas Alimentos não se manifestou publicamente sobre a suspensão do Mister Hemp nem sobre as irregularidades apontadas pela Anvisa.
Não há, até o momento, comunicado oficial da empresa explicando a situação aos consumidores que já compraram ou consomem o suplemento, tampouco orientação sobre o que fazer com o produto em estoque.
Alerta para consumidores do setor
O caso reforça um alerta que vem se repetindo no setor de bebidas e suplementos à base de cânhamo no Brasil: produtos chegam ao consumidor final como se estivessem plenamente regularizados, quando na verdade operam à margem das exigências sanitárias básicas.
A publicação no Diário Oficial da União torna o recolhimento do Mister Hemp efetivo de forma imediata.
Consumidores que tiverem o produto em casa devem evitar seu consumo até que a situação seja esclarecida pela empresa ou por novas manifestações da Anvisa.





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