Nathalia do Carmo: “A Seivativa nasceu por causa, não por moda”
Em entrevista exclusiva ao Gabiiweed.com, a CEO e fundadora da associação canábica Seivativa fala sobre origem, propósito, desafios e futuro do setor no Brasil
O rosto por trás da expansão e do posicionamento moderno da Seivativa | Reprodução/Arquivo pessoal Com presença marcante, linguagem direta e uma visão que combina propósito, estratégia e impacto social, Nathalia do Carmo tornou-se um dos nomes mais comentados entre as novas lideranças do ecossistema canábico brasileiro. À frente da Seivativa, associação reconhecida por seus eventos inovadores, incluindo o primeiro encontro no Brasil com as famosas Freiras Canábicas e a participação do hashmaker internacional Renzo Flo, o Chef Broccoli, a CEO compartilha sua trajetória, sua visão de mercado e os bastidores de um projeto que cresce com autenticidade e consistência.
A seguir, confira a entrevista completa concedida ao Gabiiweed.com.
GW: Como foi o seu primeiro contato com o universo canábico e o que te motivou a transformar isso em um projeto profissional como a Seivativa?
Nathalia: Meu primeiro contato com o universo canábico veio da minha busca por uma qualidade de vida melhor. No início, era um interesse pessoal por saúde e bem-estar.
Com o tempo, comecei a ver pessoas melhorando com o uso medicinal da cannabis, mas também enfrentando muita desinformação e preconceito. A Seivativa nasceu dessa necessidade de unir ciência, empatia e propósito.
Antes mesmo de termos cultivo, começamos atuando com projetos sociais. O primeiro foi em parceria com o CENHA, uma instituição filantrópica que acolhe crianças com deficiência. Ali, demos início ao acesso responsável ao tratamento e ao acolhimento de famílias inteiras.
Hoje, seguimos com dois projetos sociais ativos, que reforçam nosso propósito de garantir que o cuidado seja um direito, e não um privilégio.
GW: A Seivativa é conhecida por eventos inovadores, como os das Freiras Canábicas e o Chef Brócolis. Qual é a filosofia por trás dessas experiências?
Nathalia: Nossa filosofia é descomplicar o tema e mostrar a cannabis de forma viva e plural. Cada evento é uma oportunidade de educar e quebrar estigmas com leveza, seja pela arte, pela espiritualidade ou pela convivência. A experiência com as Sisters foi incrível, o primeiro a gente nunca esquece. Queremos que os associados sintam que fazem parte de um movimento que acolhe e informa.

“Cuidado deve ser um direito, não um privilégio”, afirma a CEO da Seivativa (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Além disso, trabalhamos com um marketing de nicho, voltado para comunidades que se identificam com essa proposta, ou já seguem o trabalho dos convidados nas redes sociais. Assim, conseguimos comunicar a cannabis medicinal de forma inspiradora, alcançando quem realmente busca experiência, informação e conhecimento.
GW: Qual é o papel de uma associação canábica no Brasil hoje, diante de uma regulamentação ainda limitada?
Nathalia: As associações são a ponte entre o paciente e o direito à saúde. Enquanto o Estado ainda caminha, somos nós que garantimos o acesso seguro, o suporte médico e a educação. Também temos o dever de informar a sociedade e mostrar que o uso medicinal da cannabis é uma pauta de saúde pública, não de criminalização.
GW: Como você enxerga o mercado de cannabis medicinal e recreativa no Brasil nos próximos anos? E o papel da Seivativa nesse cenário?
Nathalia: Mercado de cannabis no Brasil caminha para uma fase de consolidação. O crescimento é inevitável, mas precisa ocorrer com planejamento e responsabilidade social. O país reúne condições únicas para se tornar um dos principais polos da América Latina, pela biodiversidade, pelo potencial produtivo e pela crescente demanda por soluções naturais em saúde e bem-estar.
No entanto, essa expansão só será sustentável se vier acompanhada de uma regulamentação clara, inclusiva e socialmente responsável, que assegure o acesso de pacientes, incentive a pesquisa e fortaleça o papel das associações no processo de democratização do tratamento.
Neste contexto a Seivativa quer estar na linha de frente dessa transição.
Nosso objetivo é contribuir para a construção de um mercado ético, humano e sustentável, onde o cuidado e a informação caminhem lado a lado com o desenvolvimento econômico e a inovação.
GW: Vocês conquistaram relevância rapidamente. Qual é o segredo?
Nathalia: O segredo é ter verdade no propósito. A Seivativa não nasceu por moda, nasceu por causa. A gente escuta as pessoas, entende suas dores e constrói soluções reais. No nosso primeiro ano, participamos de muitas feiras, isso ajudou as pessoas a nos conhecerem melhor e acompanharem nosso trabalho nas redes sociais. Quando há entrega e coerência, o reconhecimento vem naturalmente.
Networking, comunidade e construção coletiva.
GW: A Seivativa trabalha muito com comunidades e experiências. Qual é a importância do networking e do compartilhamento no setor canábico?
Nathalia: É tudo. A cannabis é um movimento coletivo! Ninguém cresce sozinho. Compartilhar saberes é o que fortalece o setor. Cada curso, roda de conversa ou encontro é uma oportunidade de trocar experiências e construir uma rede sólida.
GW: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou como mulher empreendedora no mercado canábico?
Nathalia: Ser mulher já é desafiador, e o mercado canábico ainda é muito masculino. Mas eu tenho uma personalidade forte rs Desde o começo deixei claro quem eu era. E respondi com trabalho, empatia e conhecimento. Hoje, eu entendo de tudo um pouco. A Seivativa também é sobre isso: ocupar espaços com sensibilidade e força.

GW: Quais projetos ou eventos podemos esperar da Seivativa nos próximos meses?
Nathalia: Vem muita coisa boa por aí! Estamos organizando novas experiências imersivas, cursos de formação, collab e parcerias. O curso das Sisters of the Valley vai entrar oficialmente no nosso calendário anual é o mais procurado.
A próxima turma está marcada para março 2026 com novidades.
A ideia é seguir levando informação.
GW: Que conselho você daria para quem quer começar a atuar profissionalmente no setor canábico?
Nathalia: Estude, se envolva e tenha responsabilidade. A cannabis exige ética e empatia é uma área que lida com vidas. Busque associações, cursos, projetos e, principalmente, entenda o contexto social e político. O diferencial está em quem faz com consciência e propósito.
GW: Por fim, como você define o impacto da Seivativa na vida dos associados e no mercado canábico brasileiro?
A Seivativa representa a união entre cura e consciência. Nosso trabalho transforma histórias, devolve dignidade e constrói pertencimento. O impacto vai além do tratamento, é humano, coletivo e profundamente real.
Plantamos esperança onde antes havia medo, e isso, pra mim, é o maior resultado de todos.





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