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,04/02/2026

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    “Fui algemada em crise”: o relato de uma paciente autista e cultivadora presa

    Cristina Torres detalha violações e sofrimento psicológico em Imperatriz (MA) após ter seu tratamento com cannabis medicinal desconsiderado pelas autoridades


    “Fui algemada em crise”: o relato de uma paciente autista e cultivadora presa Cristina Torres concedeu entrevista exclusiva ao Gabiiweed.com | Reprodução/Instagram/@crisxtorresz

    Em entrevista exclusiva ao Gabiiweed.com, Cristina Torres afirma que ainda tenta se recuperar do impacto emocional e físico causado pela prisão em flagrante ocorrida no dia 17 de dezembro, durante uma operação da Polícia Civil do Maranhão que resultou na apreensão de estufas e plantas de Cannabis sativa em sua residência. Paciente autista nível 1, com TDAH, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e em tratamento com cannabis medicinal, ela conta que foi levada algemada para outra cidade dentro de um camburão fechado, sem ventilação ou iluminação, enquanto estava em crise e com infecção urinária.

    “Mostrei minha carteirinha, minha receita médica, meus laudos, e fui completamente ignorada. Fui caçoada, ridicularizada e tratada como criminosa”, relata Cristina. Segundo ela, o deslocamento durou cerca de três horas e meia, sob sol intenso, período em que já apresentava vômitos e febre alta.

    Ao chegar à unidade prisional, o estado de saúde da paciente teria se agravado. “Eu estava com mais de 40 °C de febre, sem conseguir me alimentar desde o início da manhã. A infecção atingiu os rins e fui levada às pressas da cela para o hospital, porque o risco de morte era real”, afirma. Ela também denuncia que não foi submetida a exame de corpo de delito.

    “Ser autista parece invalidar ainda mais a dor”

    Na entrevista, Cristina afirma que a experiência escancarou o que classifica como negligência institucional diante de pessoas com deficiência. “Quem sofre o crime muitas vezes não tem resposta nenhuma. E quando você é autista, parece que sua dor é ainda mais invalidada”, diz. Ela reforça que não possui antecedentes criminais e que sempre manteve o cultivo de cannabis com finalidade terapêutica, seguindo orientação médica.


    Cultivo apreendido no Maranhão.

    Apreensão de estufas e plantas de cannabis durante operação policial em Imperatriz (MA) (Reprodução/PCMA)


    Apesar das denúncias, a paciente faz questão de destacar a atuação das agentes penitenciárias da unidade para onde foi levada. “Foram elas que perceberam a gravidade do meu estado, me ajudaram e me trataram com humanidade, afirma.

    Justiça concede liberdade provisória com medidas cautelares

    Cristina passou por audiência de custódia no dia 18 de dezembro de 2025, na 1ª Central de Garantias e Inquéritos da Comarca de Imperatriz. O juiz homologou a prisão em flagrante, mas concedeu liberdade provisória, com medidas cautelares como comparecimento mensal em juízo e proibição de se ausentar da comarca.

    A decisão reconhece indícios formais do crime imputado, mas afasta risco concreto à ordem pública ou à instrução processual. O processo segue em tramitação judicial.

    Paralelamente, tramita no Judiciário maranhense um habeas corpus preventivo para garantir salvo-conduto ao cultivo doméstico de cannabis medicinal, redistribuído à 1ª Vara Criminal de Imperatriz.

    Nota oficial e versões em disputa

    Em nota publicada em seu site oficial, a Polícia Civil do Maranhão informou que a operação decorreu de denúncias de cultivo ilegal de maconha, mencionando ausência de autorização judicial e suposta apologia ao crime. Também confirmou a apreensão de estufas, plantas e equipamentos


    Carros da DENARC/MA

    Viaturas da Polícia Civil durante cumprimento de mandado em imóvel residencial em Imperatriz (MA) (Reprodução/PCMA)


    Cristina contesta a versão oficial e afirma que sua exposição sempre teve caráter educativo e informativo sobre o uso medicinal da cannabis, negando qualquer vínculo com tráfico de drogas. “Tentaram destruir minha honra e o nome da minha família, diz.

    Ainda em recuperação, a paciente afirma viver sob medo e constrangimento no condomínio onde mora.“O trauma da prisão não acaba quando você sai”, conclui.




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