Seja bem-vindo
,04/02/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    CPMI do INSS aponta World Cannabis como principal empresa usada pelo “Careca do INSS”

    Requerimentos no Congresso indicam que a companhia teria sido central na movimentação de recursos investigados em esquema de descontos irregulares sobre aposentadorias


    CPMI do INSS aponta World Cannabis como principal empresa usada pelo “Careca do INSS” Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” | Lula Marques/Agência Brasil

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes bilionárias em descontos associativos indevidos sobre benefícios previdenciários avançou sobre o núcleo empresarial ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Requerimentos apresentados no Congresso Nacional apontam a World Cannabis como a principal empresa utilizada para a movimentação de recursos associados ao esquema sob investigação.

    O avanço das apurações ocorre após o depoimento prestado à Polícia Federal por Edson Claro, ex-funcionário direto de Antunes, em outubro de 2025. Segundo os documentos oficiais que embasam os pedidos da CPMI, Claro relatou à PF detalhes sobre o funcionamento interno das operações financeiras e empresariais do lobista, incluindo o uso de empresas para intermediar valores provenientes das fraudes investigadas no âmbito do INSS.

    Empresa aparece no centro das movimentações financeiras

    Nos requerimentos analisados pela CPMI, a World Cannabis surge como a empresa mais recorrente nas agendas institucionais e nas movimentações atribuídas a Antônio Antunes após o avanço das investigações. Em 2025, o lobista passou a se apresentar formalmente como presidente da World Cannabis, companhia com atuação no setor de fitoterapia e filiais no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Colômbia.

    Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que Antunes esteve em reuniões no Ministério da Saúde nesse período, agora vinculado à World Cannabis, após já ter participado de encontros semelhantes representando outras empresas. Para parlamentares, a mudança de fachada empresarial reforça a suspeita de uso recorrente de pessoas jurídicas para dar aparência de legalidade a fluxos financeiros sob questionamento.

    Quebras de sigilo buscam rastrear fluxo de recursos

    Diante dessas conexões, a CPMI aprovou uma série de requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático envolvendo pessoas ligadas ao lobista, entre elas Roberta Moreira Luchsinger, apontada como parceira profissional de Antunes em diferentes momentos. O objetivo declarado é identificar eventuais repasses financeiros atípicos, beneficiários finais e a possível utilização da World Cannabis como intermediária desses valores.


    Antônio Carlos Camilo Antunes visitou cultivo de cannabis no exterior (Reprodução/Metrópoles)


    Os parlamentares sustentam que há indícios suficientes de que empresas vinculadas a Antunes teriam sido usadas para canalizar recursos oriundos dos descontos associativos fraudulentos, que afetaram aposentados e pensionistas do INSS em todo o país.

    Depoimento considerado estratégico pela CPMI

    Além das quebras de sigilo, a CPMI também solicitou a convocação de Edson Claro para prestar depoimento oficial ao colegiado. Parlamentares avaliam que ele ocupa posição estratégica por ter atuado diretamente no entorno do “Careca do INSS” e por ter mencionado, em depoimento à PF, preocupações expressas em mensagens sobre a associação com empresas como a World Cannabis.

    Segundo os requerimentos, a oitiva é considerada essencial para esclarecer se houve uso deliberado de estruturas empresariais para ocultar ou movimentar recursos, bem como para verificar a eventual existência de ramificações políticas e institucionais do esquema.

    Investigações seguem sob sigilo e sem conclusões definitivas

    A CPMI reforça que as apurações estão em curso e que não há, até o momento, condenações judiciais relacionadas aos fatos investigados. Todas as medidas aprovadas visam ampliar o acesso a informações técnicas e financeiras, garantindo o contraditório e a ampla defesa dos citados.

    O caso integra o que parlamentares vêm chamando de “farra do INSS”, um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema previdenciário brasileiro, e deve seguir em análise nos próximos meses, com novos depoimentos e relatórios de inteligência financeira.




    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.