CPMI do INSS aponta World Cannabis como principal empresa usada pelo “Careca do INSS”
Requerimentos no Congresso indicam que a companhia teria sido central na movimentação de recursos investigados em esquema de descontos irregulares sobre aposentadorias
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” | Lula Marques/Agência Brasil A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes bilionárias em descontos associativos indevidos sobre benefícios previdenciários avançou sobre o núcleo empresarial ligado a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Requerimentos apresentados no Congresso Nacional apontam a World Cannabis como a principal empresa utilizada para a movimentação de recursos associados ao esquema sob investigação.
O avanço das apurações ocorre após o depoimento prestado à Polícia Federal por Edson Claro, ex-funcionário direto de Antunes, em outubro de 2025. Segundo os documentos oficiais que embasam os pedidos da CPMI, Claro relatou à PF detalhes sobre o funcionamento interno das operações financeiras e empresariais do lobista, incluindo o uso de empresas para intermediar valores provenientes das fraudes investigadas no âmbito do INSS.
Empresa aparece no centro das movimentações financeiras
Nos requerimentos analisados pela CPMI, a World Cannabis surge como a empresa mais recorrente nas agendas institucionais e nas movimentações atribuídas a Antônio Antunes após o avanço das investigações. Em 2025, o lobista passou a se apresentar formalmente como presidente da World Cannabis, companhia com atuação no setor de fitoterapia e filiais no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Colômbia.
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicam que Antunes esteve em reuniões no Ministério da Saúde nesse período, agora vinculado à World Cannabis, após já ter participado de encontros semelhantes representando outras empresas. Para parlamentares, a mudança de fachada empresarial reforça a suspeita de uso recorrente de pessoas jurídicas para dar aparência de legalidade a fluxos financeiros sob questionamento.
Quebras de sigilo buscam rastrear fluxo de recursos
Diante dessas conexões, a CPMI aprovou uma série de requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático envolvendo pessoas ligadas ao lobista, entre elas Roberta Moreira Luchsinger, apontada como parceira profissional de Antunes em diferentes momentos. O objetivo declarado é identificar eventuais repasses financeiros atípicos, beneficiários finais e a possível utilização da World Cannabis como intermediária desses valores.

Antônio Carlos Camilo Antunes visitou cultivo de cannabis no exterior (Reprodução/Metrópoles)
Os parlamentares sustentam que há indícios suficientes de que empresas vinculadas a Antunes teriam sido usadas para canalizar recursos oriundos dos descontos associativos fraudulentos, que afetaram aposentados e pensionistas do INSS em todo o país.
Depoimento considerado estratégico pela CPMI
Além das quebras de sigilo, a CPMI também solicitou a convocação de Edson Claro para prestar depoimento oficial ao colegiado. Parlamentares avaliam que ele ocupa posição estratégica por ter atuado diretamente no entorno do “Careca do INSS” e por ter mencionado, em depoimento à PF, preocupações expressas em mensagens sobre a associação com empresas como a World Cannabis.
Segundo os requerimentos, a oitiva é considerada essencial para esclarecer se houve uso deliberado de estruturas empresariais para ocultar ou movimentar recursos, bem como para verificar a eventual existência de ramificações políticas e institucionais do esquema.
Investigações seguem sob sigilo e sem conclusões definitivas
A CPMI reforça que as apurações estão em curso e que não há, até o momento, condenações judiciais relacionadas aos fatos investigados. Todas as medidas aprovadas visam ampliar o acesso a informações técnicas e financeiras, garantindo o contraditório e a ampla defesa dos citados.
O caso integra o que parlamentares vêm chamando de “farra do INSS”, um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema previdenciário brasileiro, e deve seguir em análise nos próximos meses, com novos depoimentos e relatórios de inteligência financeira.





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