A briga pelo mercado da telemedicina da cannabis medicinal no Brasil
Disputa entre Blis, Cannect e ClickCannabis expõe os bastidores da telemedicina da cannabis no Brasil; conheça quem são os CEOs que transformaram o mercado e viraram adversários públicos
Os rostos por trás da disputa pelo mercado da telemedicina canábica no Brasil (Reprodução/Instagram) O mercado de cannabis medicinal no Brasil não para de crescer e, junto com ele, a disputa entre as principais plataformas de telemedicina do setor também se intensifica. Blis, Cannect e ClickCannabis travam uma verdadeira corrida pelo protagonismo na prescrição de tratamentos à base da planta, muitas vezes marcada por trocas públicas de farpas nas redes sociais e críticas veladas entre os concorrentes.
Por trás dessas empresas estão três nomes de perfis bem distintos, que ajudam a explicar as estratégias adotadas por cada uma. Enquanto uma aposta na popularização via aplicativo, outra foca na credibilidade institucional e uma terceira busca se consolidar com preços acessíveis e atendimento rápido. Conheça os rostos, e as trajetórias, de quem está moldando o futuro da cannabis medicinal no Brasil.
Toninho Corrêa e o app Blis
Publicitário de formação, Toninho Corrêa migrou do mundo da propaganda para o da saúde digital ao fundar a Blis, em março de 2024. Ex-diretor de criação de grandes agências como Publicis e Africa, e sócio da empresa de branding Pullse (do Grupo Dreamers), Corrêa apostou em uma proposta ousada: usar tecnologia e linguagem acessível para democratizar o acesso à cannabis medicinal.
A Blis se posiciona como “o primeiro aplicativo do mundo que integra toda a jornada legal para acesso à Cannabis Medicinal”. A startup soma mais de 300 mil downloads em cerca de 1.800 cidades brasileiras, com 30 opções de tratamento oferecidas. Sem experiência prévia no setor de saúde, Toninho utiliza seus mais de 15 anos no mercado criativo para construir uma experiência digital centrada no usuário e baseada em empatia.

Toninho Corrêa, fundador da Blis (Reprodução/Instagram)
Allan Paiotti e a Cannect
Com trajetória robusta no setor de gestão hospitalar e investimentos, Allan Paiotti é o CEO e cofundador da Cannect, criada em 2021. Médico de formação, com MBA pela FGV e especializações em liderança por Harvard, Paiotti já presidiu o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e empresas de setores diversos, como self storage e logística.
A Cannect é hoje um dos maiores ecossistemas digitais voltados à cannabis medicinal no país, conectando pacientes, médicos, fornecedores e instituições de pesquisa. Seu foco está em integrar ciência e tecnologia para oferecer um tratamento mais seguro, personalizado e acessível. A empresa também investe em educação médica e promove eventos científicos.
Paiotti usa sua bagagem executiva para posicionar a Cannect como referência institucional no setor, um contraponto às plataformas que apostam em linguagem mais jovem ou popular.

Allan Paiotti, CEO da Cannect (Reprodução/Instagram)
João Migowski e a ClickCannabis
Com apenas 30 anos, o médico João Migowski já acumula passagens pelo Exército, pesquisa científica e fundações de múltiplas empresas na área da saúde digital. Fundador da ClickCannabis, da Heal Saúde e da Health Media Inc, Migowski aposta em modelos de atendimento populares e preços acessíveis.
A ClickCannabis oferece consultas médicas a partir de R$30 e atendimento 24h por dia, prometendo acesso facilitado a terapias com cannabis para condições como ansiedade, epilepsia, insônia e depressão. A plataforma busca unir tecnologia, acolhimento e capilaridade digital.
Migowski é formado em Medicina pela UFRJ e já atuou como monitor de Psiquiatria, estagiário em emergência clínica e pesquisador em endocrinologia. Sua proposta é ampliar o acesso à cannabis medicinal de forma escalável, mirando um público que ainda encontra barreiras no sistema de saúde tradicional.

João Migowski, fundador da ClickCannabis (Reprodução/Instagram)
Três perfis, uma tendência: o futuro da prescrição canábica digital
Apesar de suas diferenças — um vindo da publicidade, outro da gestão hospitalar e o terceiro da medicina — Toninho Corrêa, Allan Paiotti e João Migowski representam uma mesma transformação: a consolidação da cannabis medicinal como parte do cotidiano terapêutico no Brasil, mediada pela tecnologia.
Enquanto a Blis aposta em linguagem disruptiva e visual moderno, a Cannect constrói autoridade científica e a ClickCannabis adota um modelo popular, o denominador comum é a digitalização da saúde com foco na cannabis.
O avanço dessas plataformas, no entanto, também levanta debates: como equilibrar agilidade tecnológica com segurança clínica? Quem fiscaliza esses serviços? Qual o papel da Anvisa nesse cenário? A resposta ainda está em construção, mas os três nomes por trás dessas startups já figuram como protagonistas da nova era da cannabis medicinal no país.





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