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,03/02/2026

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    Estudo identifica quatro perfis de usuários de cannabis no Brasil

    Estudo mapeia padrões de uso de cannabis e aponta maior vulnerabilidade à saúde entre usuários que iniciam o consumo mais cedo e mantêm uso frequente


    Estudo identifica quatro perfis de usuários de cannabis no Brasil Levantamento com adultos da Grande São Paulo revela perfis distintos de uso de cannabis | Reprodução/Kindel Media/Pexels

    Um estudo inédito realizado com dados do São Paulo Megacity Mental Health Survey identificou quatro perfis distintos de usuários de cannabis no Brasil e aponta que aproximadamente três em cada dez consumidores estão mais expostos a danos à saúde, sobretudo quando o uso começa cedo, é frequente ou ocorre em conjunto com álcool, tabaco e outras drogas.

    A pesquisa analisou informações de 5.037 adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo, dos quais 496 relataram já ter usado cannabis ao menos uma vez na vida. Utilizando uma metodologia estatística conhecida como análise de classes latentes, os pesquisadores mapearam padrões de consumo, idade de início, frequência de uso e associação com outros comportamentos de risco.

    Quatro perfis de uso de cannabis

    Os resultados identificaram quatro grupos principais. O primeiro, chamado de uso leve sem problemas, reúne cerca de um quarto dos participantes e inclui pessoas que experimentaram cannabis poucas vezes, geralmente após os 18 anos, sem consumo recente ou associação com outros problemas de saúde.

    O segundo grupo, uso leve com outras drogas, concentra quase metade dos usuários. Embora o consumo de cannabis seja esporádico ou tenha ocorrido apenas no passado, esse perfil apresenta altas taxas de tabagismo, consumo abusivo de álcool e transtornos relacionados ao uso de bebidas alcoólicas, indicando que os riscos não estão restritos apenas à maconha.


    estudo analisa perfis de usuários de cannabis

    Usuários com consumo pontual de cannabis, sem uso recente, formam o maior grupo identificado no estudo (Reprodução/Kampus Production/Pexels)


    Já o perfil poliusuário, que representa cerca de 26% da amostra, chama atenção pelo maior grau de vulnerabilidade. São pessoas que começaram a usar cannabis ainda na adolescência, fazem uso frequente ou recente da substância e apresentam maior probabilidade de consumir outras drogas, fumar, beber em excesso e desenvolver transtornos por uso de álcool. Esse grupo também apresentou os maiores níveis de prejuízo à saúde mental.

    O quarto e menor grupo é o dos ex-usuários, formado por pessoas que tiveram uso intenso no passado, inclusive com início precoce, mas que deixaram de consumir cannabis e tabaco no último ano. Apesar da abstinência, muitos ainda relataram histórico de uso de outras drogas e problemas relacionados ao álcool.

    Início precoce e uso combinado elevam riscos

    De acordo com os autores, o fator mais associado aos desfechos negativos é a combinação entre início precoce, uso frequente e consumo simultâneo de outras substâncias, especialmente álcool. Os dados indicam que usuários poliusuários têm até três vezes mais chances de consumir outras drogas e apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais e comportamentais.

    O estudo também aponta que o uso de cannabis no Brasil ocorre em um contexto marcado por alta prevalência de consumo abusivo de álcool, sobretudo entre jovens. Essa combinação potencializa riscos como acidentes, prejuízos cognitivos, agravamento de transtornos mentais e maior probabilidade de dependência ao longo da vida.

    Implicações para políticas públicas

    Os pesquisadores defendem que os resultados reforçam a necessidade de uma abordagem de saúde pública focada na redução de danos, em vez de estratégias exclusivamente punitivas. A recomendação é priorizar ações de prevenção voltadas especialmente aos grupos mais vulneráveis, como adolescentes e jovens adultos que iniciam o consumo cedo ou fazem uso combinado de substâncias.


    estudo analisa perfis de usuários de cannabis

    Adiamento da idade de início do uso de cannabis aparece como fator de proteção no estudo (Reprodução/Kindel Media/Pexels)


    Segundo o estudo, políticas eficazes deveriam incluir adiamento da idade de início, campanhas educativas baseadas em evidências científicas, restrições à associação entre álcool e cannabis e ampliação do acesso a serviços de saúde mental e tratamento para transtornos por uso de substâncias.

    Embora os dados tenham sido coletados entre 2005 e 2007, os autores destacam que os achados continuam relevantes diante do aumento do consumo de cannabis, da redução da percepção de risco e do avanço do debate sobre regulação da substância no Brasil. Para eles, compreender quem são os usuários e quais padrões concentram maior risco é essencial para orientar decisões públicas mais eficazes e responsáveis.




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