Cannabis medicinal avança no debate do SUS
Em 2025, projeto Participa+ ampliou a discussão sobre o uso terapêutico da planta no Conselho Nacional de Saúde
Participa+ fortalece o debate sobre cannabis medicinal | Reprodução/CNS O debate sobre o uso terapêutico da cannabis ganhou centralidade na 5ª edição do projeto Participa+, iniciativa voltada à formação política e técnica de conselheiros de saúde e representantes da sociedade civil no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia educacional, que registrou adesão recorde em todo o país, abriu espaço para reflexões aprofundadas sobre o papel da cannabis medicinal no cuidado em saúde, especialmente em tratamentos de condições crônicas e doenças raras.
Com mais de 10 mil pessoas inscritas nesta edição, o Participa+ evidenciou o crescimento do interesse social por políticas públicas relacionadas à cannabis medicinal no SUS, tema historicamente marcado por estigmas e lacunas regulatórias. A presença da pauta na programação reforçou a necessidade de qualificar o controle social para responder às demandas de pacientes e familiares que buscam acesso a terapias à base da planta.
Cannabis medicinal no centro da formação
A discussão sobre o uso terapêutico da cannabis no Brasil foi desenvolvida principalmente por meio das Rodas de Conversa virtuais, espaços coletivos de escuta e troca de experiências com metodologia horizontal. Ao todo, foram realizados 92 encontros on-line, que somaram cerca de 4.800 participações, reunindo conselheiros de saúde, ativistas, usuários do SUS e lideranças comunitárias interessadas em compreender os desafios e as possibilidades da cannabis medicinal na saúde pública.

Conselho Nacional de Saúde fortalece o controle social e o debate sobre cannabis medicinal no SUS (Reprodução/CNS)
Nesses encontros, o debate ultrapassou a dimensão clínica e avançou sobre entraves estruturais que impactam o acesso à cannabis medicinal, como a ausência de regulamentação ampla, dificuldades de financiamento público e desigualdades regionais no fornecimento de medicamentos derivados da planta. A abordagem buscou relacionar a pauta às realidades territoriais e às necessidades concretas dos usuários do SUS.
Controle social e enfrentamento de estigmas
A inserção da cannabis medicinal na formação continuada do Participa+ foi apontada como uma ferramenta estratégica para fortalecer o controle social em saúde. Ao qualificar o debate, o projeto contribui para que conselheiros e representantes da sociedade civil atuem de forma mais consistente na formulação e fiscalização de políticas públicas sobre cannabis no SUS, com base em informação técnica e escuta social.
Entre os participantes que concluíram a maior parte da carga horária, muitos passaram a atuar como multiplicadores do debate sobre cannabis medicinal em conselhos municipais e estaduais de saúde. A expectativa do Conselho Nacional de Saúde é que a educação permanente contribua para reduzir preconceitos, ampliar o diálogo institucional e fortalecer o direito à saúde de pacientes que dependem de terapias à base de cannabis no SUS.





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