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,03/02/2026

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    Proibir não freia: mercado informal da cannabis cresce na América Latina

    Dados do Insight Crime mostram que consumo segue alto e políticas restritivas não impedem a expansão das cadeias de produção e circulação


    Proibir não freia: mercado informal da cannabis cresce na América Latina Falta de consenso regional mantém a cannabis presa à informalidade | Reprodução/Governo Federal

    Enquanto substâncias como cocaína e fentanil concentraram atenção internacional em 2025, a maconha permaneceu como elemento estrutural das cadeias informais regionais. De acordo com análise do Insight Crime, o setor da cannabis seguiu em crescimento ao longo do ano, evidenciado pelo aumento de interceptações, pela ampliação de áreas de cultivo não regulado e pela manutenção de um consumo interno elevado, que segue estável.

    Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), mais de 244 milhões de pessoas utilizaram cannabis no último ano, o equivalente a 4,2% da população global entre 15 e 64 anos. O dado consolida a planta como a substância psicoativa mais consumida no mundo.

    Consumo elevado sustenta cadeias informais

    Nas Américas, cerca de 82,7 milhões de pessoas relataram uso da cannabis: 67,9 milhões na América do Norte, 12,1 milhões na América do Sul e 2,7 milhões na América Central e no Caribe. Na América do Norte, isso corresponde a aproximadamente 17% da população, enquanto em outras regiões o índice gira em torno de 6%.

    Esse nível de demanda é sustentado por uma ampla rede de produção e circulação da cannabis. Diferentes grupos organizados coordenam desde pequenos cultivos até grandes plantações, administram corredores logísticos e operam sistemas de distribuição que conectam áreas rurais a grandes centros urbanos.


    Mapa América Latina Cannabis.

    Rede de distribuição de cannabis atravessa a América Latina (Reprodução/Insightcrime.org)


    Embora o México tenha figurado entre os principais produtores globais em 2015, o eixo de circulação da cannabis se deslocou nos últimos anos. Atualmente, os maiores registros de interceptação estão concentrados na América do Sul. Somente em 2024, Colômbia, Paraguai e Brasil somaram mais de duas mil toneladas apreendidas.

    No Paraguai, uma ação realizada em dezembro resultou na retenção de 89 toneladas de cannabis, o maior volume já registrado no país. Além da quantidade, o episódio evidenciou fragilidades institucionais na circulação em larga escala.

    Mercado híbrido entre regulação e informalidade

    A expansão da indústria da cannabis medicinal e a descriminalização do uso adulto em alguns países contribuíram para a formação de um mercado híbrido, situado entre a regulamentação formal e a informalidade. Esse cenário favoreceu a fragmentação das cadeias, o surgimento de variedades com maior concentração de canabinoides e a consolidação de rotas internacionais.

    Um exemplo é a variedade conhecida como “creepy” ou “cripy”, originária da Colômbia. Com alto teor psicoativo, essa cepa se espalhou por diversos países da região e ganhou valorização no mercado. Estima-se que cerca de 80% da cannabis cultivada fora do marco regulatório na Colômbia seja destinada a outros mercados


    Mapa Colômbia Cannabis.

    Produção colombiana impacta a circulação regional de cannabis (Reprodução/Insightcrime.org)


    O principal polo produtivo está no departamento de Cauca, onde há controle territorial sobre corredores de circulação. Ao longo da última década, as apreensões no país alcançaram uma média anual de 370 toneladas, com picos registrados em 2020 e 2024.

    Brasil, Caribe e Cone Sul no radar

    No Brasil, a cannabis colombiana ganhou destaque especialmente na Região Norte. Em 2024, o estado do Amazonas registrou aumento de 36% nas apreensões, com presença significativa de variedades mais potentes.

    Chile, Panamá, República Dominicana e países do Caribe também registraram volumes inéditos de interceptação em 2025. Parte dessas remessas teve origem na Venezuela, que vem se consolidando como ponto estratégico de redistribuição.

    Apesar da expansão colombiana, o Paraguai permanece como principal fornecedor da cannabis no Cone Sul, posição sustentada pelo baixo custo de produção e pela proximidade com grandes centros consumidores, como Brasil e Argentina. 

    Ainda assim, o modelo paraguaio apresenta sinais de desgaste. Aproximadamente 40% dos pequenos agricultores deixaram essa atividade, pressionados por custos elevados e instabilidade econômica.

    Efeitos da legalização e limites do proibicionismo

    A regulamentação da cannabis em países como Estados Unidos, Canadá e Uruguai teve impacto direto sobre os fluxos informais na América Latina. As interceptações na fronteira entre Estados Unidos e México caíram mais de 95% na última década.

    No Uruguai, quase 40% dos consumidores acessam a cannabis por meios legais, reduzindo significativamente a dependência de mercados informais. Em contrapartida, países que mantêm políticas mais restritivas, como Brasil e Paraguai, seguem enfrentando altos custos de controle estatal.

    Apesar de avanços parciais na regulamentação da cannabis medicinal em países como Colômbia, Argentina e Chile, a ausência de uma estratégia regional integrada limita os efeitos dessas mudanças. Segundo o InsSightCrime, a informalidade tende a persistir como elemento central do mercado de cannabis na América Latina.




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