EXCLUSIVO: Ex-deputada Carla Zambelli é citada como investigada em operação que prendeu influenciadora canábica Melissa Said
Inquérito da Polícia Civil da Bahia foi distribuído em 13 de janeiro e aguarda decisão do Ministério Público sobre eventual denúncia
Por Gabiiweed
16/03/2026 - 09h58
Carla Zambelli está presa em Roma, na Itália | Reprodução/Redes Sociais A Polícia Civil da Bahia incluiu os nomes da ex-deputada federal Carla Zambelli Salgado (PL-SP) e da influenciadora digital Melissa Said Menezes de Paula entre os investigados no inquérito policial relacionado à chamada Operação Erva Afetiva, que apura um suposto esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
O procedimento tramita na 1ª Vara das Garantias de Salvador, sob o número 8004736-96.2026.8.05.0001, e foi distribuído à Justiça em 13 de janeiro de 2026. O caso tem como autor a 1ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (1ª DTE Atlântico) da Polícia Civil da Bahia.
De acordo com os registros processuais, além de Zambelli e Melissa Said, também figuram como investigados Gabriel Ferrari Sousa, Erick Santos Oliveira e Eduardo Vitor Modesto Costa Pereira Santos. O Ministério Público do Estado da Bahia aparece no processo como terceiro interessado e deverá analisar o material reunido pela polícia para decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia criminal.
Influenciadora é apontada como principal alvo
A investigação teve início em 2024 e ganhou visibilidade após a deflagração da Operação Erva Afetiva pela Polícia Civil da Bahia. Entre os principais alvos está a influenciadora digital Melissa Said, conhecida nas redes sociais por produzir conteúdo relacionado à cannabis para mais de 300 mil seguidores.

Ex-parlamentar figura como investigada em inquérito da Operação Erva Afetiva (Reprodução/TJBA)
Segundo a polícia, Melissa seria a articuladora de um esquema de tráfico interestadual com ramificações na Bahia e em São Paulo. As apurações indicam que ela utilizava plataformas digitais para incentivar o consumo de drogas e orientar seguidores sobre formas de evitar abordagens policiais durante viagens.
As autoridades também apontam que a influenciadora teria intermediado a compra e revenda de maconha e distribuído “kits” contendo cigarros da substância em ações promocionais. Em publicações nas redes sociais, ela se apresentava como “ervoafetiva” e associava seu conteúdo ao ativismo canábico.
Mandados e prisões durante a operação
Durante a operação policial, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia e de São Paulo. Ao todo, quatro pessoas foram presas, incluindo suspeitos localizados em Salvador, Lauro de Freitas e na capital paulista.
Em uma das ações, policiais apreenderam aproximadamente 1,4 kg de maconha do tipo skank, 270 gramas de haxixe, porções de maconha prensada, além de balanças de precisão, embalagens plásticas, celulares e veículos que, segundo os investigadores, apresentariam indícios de uso na atividade criminosa.
Melissa Said chegou a ser presa durante a operação, mas obteve liberdade provisória após cerca de duas semanas, mediante medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre as restrições determinadas está a proibição de uso de redes sociais por um período inicial de 12 meses.
Contexto político e próximos passos da investigação
O indiciamento ocorre em meio ao contexto jurídico já delicado envolvendo a ex-deputada Carla Zambelli. Em 2025, ela foi presa em Roma, na Itália, após condenação do Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A ex-parlamentar renunciou ao mandato na Câmara dos Deputados em dezembro do mesmo ano enquanto aguardava o processo de extradição para o Brasil.
No caso da Operação Erva Afetiva, o inquérito policial foi remetido à Justiça e aguarda agora manifestação do Ministério Público, que deverá decidir se apresenta denúncia criminal contra os investigados ou se solicita novas diligências antes de eventual ação penal.
A reportagem não conseguiu localizar as defesas de Melissa Said e Carla Zambelli para comentar os indiciamentos no inquérito policial. O espaço permanece aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos das partes citadas.




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